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TRANSMUTALISM

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  Emmanüel de Cériz     

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O que é o TRANSMUTALISMO?

Fundamentos para uma Nova Matemática  Cálculo Transmutacional:Uma Nova Abordagem Matemática

 

E-Mail: EmmanuelCeriz@gmail.com

FORUM / Comentários

 

TRANSMUTALISMO é o recente sistema ontológico criado pelo escritor Emmanuel de Cériz e explanado nos seus livros "O Livro de Meta-H", 1995, "O Transmutalismo", 1999, "IGNIUS", 2001 and "Aureus", 2003. Consiste na transmutação do ser humano numa outra espécie ilimitada e imortal.

TRANSMUTALISM is the recent ontological system created by the writer Emmanüel De Ceriz and explained in the books "The Book of Meta-H", 1995, "Transmutalism", 1999, "Ignius", 2001 and "Aureus", 2002/3. It consists in his transmutation into a new specimen, some kind of unlimited and immortal being. He also founded a New Mathematics Theory, the "Transmutational Calculus", to explore the possibilities to transmute one thing into a completely different thing (essence and structure), A ~> B  (A transmuted in B), with A B. The idea is very different from other approaches because is based on an inner transmutation directly achieved from the Energy Field that composes each being.

 

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O que é o TRANSMUTALISMO?

Emmanuel de Cériz criou a palavra transmutalismo a partir de transmutação.

Transmutação significa um tipo de alteração mais profundo do que a simples transformação.

 É uma mutação intrínseca, absoluta.

 

A transmutação pode aplicar-se a tudo.

Aquela que mais aqui se aborda é a transmutação do ser.

É a auto transmutação ontológica – do ser num outro tipo de ser... radicalmente diferente!

 

Radicalmente diferente porque é um tipo de ser desprovido de limites e características rígidas.

 

A transformação absoluta: de uma coisa em algo essencialmente diferente ou do indivíduo no tipo de ser que mais deseja e que mais está de acordo com a sua natureza trans-temporal.  O regresso do ser à sua essência.

 

Para Cériz, o Transmutalismo representa o trabalho de toda a sua vida. De investigação e desenvolvimento de uma ideia que nasceu consigo. Nas áreas do transformismo, do paranormal e da arte.

 

O transmutalismo é, também, a corrente de pensamento que está subjacente a todo o seu trabalho no domínio das artes plásticas.  Todavia, o seu objecto ultrapassa esta área e  projecta-se numa nova atitude do ser perante si próprio e a existência.

 

Essa nova atitude é o transmutalismo.

 

 

O transmutalismo esboça-se como corrente artística e de pensamento. Poder-se-á estender à música, literatura, filosofia, ciência, religião, parapsicologia, ... , ...

 

 

Definições

  

Nada neste mundo é tão poderoso   como uma ideia cuja oportunidade chegou.

           Vítor Hugo

 

 

O que é o Transmutalismo?

 

            O Transmutalismo é, essencialmente, uma Atitude Ontológica. Uma postura diferente face à existência e ao nosso próprio ser.

           

As atitudes mais comuns face à existência resultam na aceitação do ser (do que se é) e numa redução a esse mesmo ser: redução às suas características, limites, forma e possibilidades.

           

Esta atitude comum consiste em viver sendo, apenas, o tipo de ser que se é, até ao fim. Nunca este é colocado em causa.  A nossa consciência aceita o tipo de ser com que nasce, aceitando as suas possibilidades mas também os seus limites.  Vive nessas condições até se extinguir a vida, nunca se questionando se poderia transmutar o seu ser num outro, cujas características poderiam ser, até, tão diferentes  como as de uma nova espécie.

           

Para além de se limitar às características do seu tipo de ser, faz também parte da atitude ontológica comum, aceitar a sua decadência e o seu fim, com a morte.

            Encontramos aqui três sub-atitudes principais:

1.      Aceitação e redução ao que se é apenas.

2.      Aceitação da decadência do ser.

3.      Aceitação da morte como fim inevitável.

Subjacente às três grandes sub-atitudes, está uma atitude global – a da Sujeição, da Submissão.

Submissão aos mecanismos da vida e da existência.

 

O Homem é, assim, um ser sujeito aos elementos. Um ser completamente dominado e submisso ao espaço-tempo e à sua própria natureza.

A consciência humana é passiva – percepciona e reflecte sobre o meio mas, não o domina.  Não age directamente sobre o meio envolvente e actua , apenas em pequena parte, sobre o seu próprio ser.

Cada ser possui um determinado nível de energia, transaccionando energia dentro de determinada escala.  A consciência submete-se , assim, aos limites pré-concebidos  de cada espécie de ser.

 

Poderíamos pensar que a sujeição não é total porque, afinal, o tipo de ser que o homem é, não voa e, no entanto, construiu máquinas que o transportam voando.  Porém, o homem não expandiu o seu próprio ser para que voasse; a submissão à impossibilidade de voar esteve sempre presente.  Isto é, na sua escalada para ultrapassar os seus limites, o homem nunca o fez  ontológicamente; nunca expandiu o seu próprio ser, eliminando, de facto, os seus limites; a via que seguiu consistiu em criar artefactos e tecnologia para os contornar. Despojado de tudo isso, o ser humano encontra-se idêntico ao ser humano de há milhares de anos.  O que seria de nós sem a tecnologia?

Ao longo de todos estes milhares de anos, a evolução do ser em si mesmo -- a evolução ontológica -- foi diminuta.

 

A consciência humana comporta-se como um subproduto do corpo e não catalisa energia suficiente para realizar a sua completa gestão.  Há casos de cura de certas doenças pela “energia da fé”.  Nesses casos, suponho que a consciência atingiu, por momentos, uma maior gestão do corpo.  A consciência passou de passiva a actuante.

 

O Homem, na sua generalidade, sempre viveu tentando satisfazer as suas necessidades, explorando as suas possibilidades e aguardando pelo fim ( alguns depositando a sua crença numa vida após a morte).  Este “modus vivendi” faz parte da submissão à condição de ser humano.

Imaginemos agora, uma sociedade em que as pessoas vivessem procurando transmutar-se em seres cuja consciência seria dominante sobre o meio e o próprio indivíduo.  Uma sociedade em que as pessoas vivessem para se transmutarem em seres ilimitados...  Seria algo semelhante a um mundo em que os seres humanos seriam como as crisálidas que precedem as borboletas, sendo estas últimas, os seres humanos já transmutados em seres quase sem limites devido às suas consciências agora dominantes e actuantes.

Utópico?  Talvez não.  Talvez o que nos falte para isso, seja a crença nessa nova possibilidade.  A vontade e o querer ajudarão a consciência a descobrir os meios para o conseguir.

 

O que diferencia a consciência humana da dos restantes animais é que essa consciência atinge a noção do seu tipo de ser, das suas possibilidades e limites e consegue imaginar a transmutação num outro tipo de ser.

Os outros animais parecem ter uma consciência indefinida sobre o seu próprio ser e possivelmente nula sobre a possibilidade de se transmutarem.  Deste modo nunca poderão querer ser aquilo que não conseguem sequer imaginar.

Talvez por isso a consciência humana esteja no limiar das possibilidades para se auto transmutar, já que, pelo menos, entrevê essa possibilidade.

 

Ao longo da história, o que faltou à nossa espécie para a criação e desenvolvimento de uma atitude transmutalista, face à existência?

Suponho que fundamentalmente:

1.      A crença na possibilidade da transmutação do homem.

2.      A vontade e o desejo de realizar essa transmutação.

Isto, porque, afinal, foram criadas e desenvolvidas outras atitudes complexas, como por exemplo, a atitude de viver preparando-se para o merecimento de uma vida plena após a morte.  Os factores que desenvolveram esta atitude são da mesma ordem:

1.      A crença na possibilidade de atingir uma vida plena após a morte.

2.      A vontade e o desejo de a atingir.

 

Não pretendo retirar a validade desta atitude, aqui tomada como exemplo.  Contudo, é interessante observar que a possibilidade de obter uma imortalidade agradável, é relegada ao juízo dos deuses.  Dá a sensação de que o homem, tem procurado retirar de si, a responsabilidade de conseguir ultrapassar certos limites e a tem colocado nas mãos das divindades, da natureza, do Karma, dos ciclos existenciais, das reencarnações, etc.

“Vou comportar-me bem, para que, depois de morrer, Deus me dê a vida eterna”.  Esta atitude existencial é subjacente em grande parte, senão na maioria das religiões.  Apenas quero aqui salientar um pormenor:  Pretende-se obter a vida eterna como um presente, através de um merecimento.  Não é realizado um trabalho directo na criação dessa vida eterna pelo homem.

 

Há um outro factor preponderante:  Esta imortalidade, esta vida eterna é somente obtida após a morte, sem que nós, os vivos, possamos algum dia saber se é verdade ou não.  Se é verdade ou não que, pelo menos, este ou aquele indivíduo alcançaram a vida eterna após a morte.  Após a morte, é uma cortina negra; do que se lá passa, nada se sabe de concreto e, assim, também se não pode negar qualquer afirmação.  Não se pode saber se é verdade ou mentira.  Talvez por isso, determinadas crenças religiosas sejam alicerçadas em acepções que não podem ser provadas; daí a sua durabilidade. Grande parte destas crenças estende-se por séculos ou milénios.

 

Imaginemos uma religião em que a principal crença seria a de que, o homem pode, em vida, transmutar-se adquirindo vida eterna. Para essa religião, uma tal crença seria um perigoso alicerce.  Possivelmente bastaria uma ou duas gerações de discípulos, sem que nenhum atingisse a transmutação, para que essa religião caísse em descrédito.  Quantos terão atingido a vida eterna após a morte?  Não sabemos. E, como não sabemos podemos continuar a acreditar.

A transmutação dos indivíduos seria algo constatável. Como tal, seria necessário que, pelo menos um indivíduo da espécie humana, realizasse essa transmutação, para que tal crença pudesse subsistir. Curiosamente, segundo o texto bíblico da religião cristã, foi constatada, o que parece ter sido uma transmutação. Depois de crucificado, Jesus Cristo, no seu túmulo, transmuta o seu corpo no “corpo glorioso”, adquirindo vida eterna.

Porque será que, apesar da ocorrência deste episódio registado na bíblia, não surgiu uma atitude transmutalista no seio da humanidade?  Porque não surgiu a crença de que a espécie humana tem a possibilidade de transmutar-se?

Uma forma de evitar tal crença seria a de negar que Jesus faria parte desta espécie humana.

A religião, ao considerar que Jesus conseguiu ressuscitar por ser filho de Deus e não como ser humano (que também seria), retira aos restantes seres humanos a mesma possibilidade.

No entanto, na própria bíblia, é enfatizado que em Jesus, o espírito de Deus nasceria homem, tão homem como os demais.  Jesus Cristo teria sido, portanto, um elemento da espécie humana que se transmutou num ser divino  (independentemente do espírito de Jesus ser de origem divina pois, afinal, segundo o texto bíblico, todos os espíritos vêm de Deus).

 

Se numa época de “olho por olho, dente por dente”, surge um ser humano com uma mensagem de amor e tolerância e se, como consequência da sua evolução, realiza também acções paranormais interpretadas como milagres, a sua mensagem só é parcialmente captada.  Isto porque esse ser é imediatamente idolatrado e apenas alguns dos seus ensinamentos são assimilados.  Os restantes são atribuídos à sua condição divina e, portanto, não são seguidos por serem considerados impossíveis para nós, simples seres humanos.

É de novo a tendência humana para a sujeição.

 

 

Meditemos no significado de Transmutação em Física Nuclear:

Transmutação corresponde à transformação física de um elemento noutro. Por exemplo, à transmutação do chumbo em ouro. Em aceleradores de partículas, consegue-se efectuar a transformação de átomos de chumbo em átomos de ouro. Para o fazer é necessário “injectar” uma grande quantidade de energia ao átomo de chumbo para que este se converta em ouro. Na realidade, o núcleo do átomo de chumbo é bombardeado com partículas de alta energia.

 

Penso que a transmutação está intimamente relacionada com a energia. Se o ser humano conseguir catalisar, uma grande quantidade de energia, possivelmente, entrará em processo de transmutação. Paralelamente, dar-se-á a expansão da consciência. A consciência poderá vir a conseguir gerir a totalidade do nosso corpo e até parte do meio ambiente.

 

 

Até hoje, encontram-se na história, poucos exemplos de indivíduos que possam ter realizado a sua transmutação. Este fenómeno não é surpreendente se repararmos que nunca existiu, no seio da nossa espécie, nem a atitude propensa à transmutação, nem tão pouco a crença de que a mesma seria possível.

Estou convencido de que, se um número significativo de seres humanos, tivesse compartilhado o mesmo interesse em transmutar-se, o somatório de todas as tentativas e experiências realizadas, constituiria já um conhecimento tão vasto, que teria possibilitado a muitos atingir essa realização.

A física quântica veio demonstrar, recentemente,  que a consciência do observador influencia o fenómeno observado. Isto é a confirmação científica de que nós podemos alterar a realidade da qual fazemos parte.

 

Apesar do quase total desconhecimento histórico de exemplos de transmutação, existe uma grande quantidade de casos de realização parcial ou de afloramento deste processo:

 

-          Os corpos de muitos indivíduos que foram considerados santos, não sofreram, depois da morte, o habitual processo de decomposição. Estes corpos foram observados, por milhares de pessoas, em urnas de vidro em diversas templos. Durante muitos anos, a sua aparência, manteve-se quase inalterada.

-          A anulação do ego e o alcance do estado de nirvana por vários discípulos do hinduísmo e budismo. A expansão da consciência e a identificação com a essência universal.

-          A obtenção de diversos poderes paranormais por iogues, monges tibetanos e outros místicos e ascetas.

 

 

Podemos chegar assim à síntese de algumas definições:

 

O Transmutalismo é o estudo e a investigação do transformismo e da transmutação com o objectivo de dominar o mecanismo de transmutação da matéria e da energia, do tempo e do espaço, dos objectos e dos seres.

 

O Transmutalismo é uma atitude nova do ser face à existência, orientada para a realização da transmutação individual.

            A transmutação individual é a transformação do ser humano num outro tipo de ser, desprovido das nossas limitações e impossibilidades.  Desprovido da rigidez limitante do nosso corpo. Um tipo de ser que vive num estado de domínio sobre si e o meio ambiente, e não num estado de sujeição aos elementos.

           

O Transmutalismo é uma fusão do ser com a arte — a mais elevada actividade do espírito humano. Via ideal para gerar o estado de liberdade total.

           

O Transmutalismo é, também, o esforço e o trabalho de investigação para transmutar, ainda em vida, o corpo humano num corpo reversível, incorruptível e imortal, cuja consciência deverá controlar, completamente, todo o metabolismo e a realidade em seu redor.

 

O conhecimento actual não pode negar

a possibilidade da transmutação

 

Aquilo a que chamamos realidade é apenas uma das interpretações possíveis, que criamos, do nosso meio vivencial.  É um protocolo de comunicação criado/imposto por cada um de nós e pela sociedade em conjunto.

 

      Aquilo que é, de facto, a realidade (ou a existência) é algo que ainda nos ultrapassa.                      

 

Talvez seja necessário vermos a realidade da mesma forma para que nos possamos comunicar. Mas é aí que devia cessar a  utilidade e o poder dessa plataforma de entendimento comum e dever-se-iam, até, utilizar outras protocolos diferentes com eficácias ajustadas a objectivos diferentes (como, por exemplo, o desenvolvimento da acção da mente sobre a matéria).

 

Acreditarmos, tão inocentemente, na realidade como sendo a própria existência transformou aquilo que deveria ser um auxiliar de comunicação, numa prisão existencial.

O poder da crença, quando essa crença não possui em si quaisquer dúvidas, é um poder criador. Assim como acreditamos, assim é.

Ao acreditarmos nesta realidade, que é uma imagem parcial e limitada da existência (e de nós próprios), como sendo a própria existência reduzimo-la assim àquilo em que acreditamos e amputamos-lhe inúmeras possibilidades.

 

As ideias devem ser apenas ideias e não as devemos confundir com as coisas. Não temos o conhecimento completo das coisas e se as confundirmos com as respectivas ideias corremos o risco de as castrar e de as reduzir àquilo que conhecemos, ou julgamos conhecer, sobre elas.

A ideia passada sobre a Terra -- de que era plana -- impediu, durante muito tempo, que se tirasse mais proveito da coisa em si (as possibilidades de efectuar uma circum-navegação eram absurdas pois temia-se ser precipitado nos abismos das suas bordas).

 

Todas as ideias sobre os seres e objectos e sobre a própria existência são limitadas e incompletas mesmo quando são formadas com base científica.

É assim porque, actualmente, a ciência não conhece completa e profundamente nenhum ser ou objecto.

três tipos de desconhecimento:

O da sua Composição (o chamado conhecimento reducionista ou analítico não atingiu ainda a natureza de todos os componentes que formam as coisas)

O Holístico (como se conjugam todas as suas partes na formação do todo),

O das suas Variâncias (as variações obtidas a partir de um ser ou objecto pelos efeitos da alteração das suas múltiplas variáveis).

 

Abordemos primeiro alguns exemplos do desconhecimento da composição:

Há várias lacunas no que se sabe sobre os componentes que formam a maior parte das coisas, principalmente os seres vivos que possuem órgãos ainda mal conhecidos. Os componentes e organitos celulares e a sua composição molecular possuem também muitos segredos por desvendar.

Mas, em última análise, o desconhecimento composicional é um facto, porquanto os componentes mais elementares estão ainda revestidos de mistérios.  Apesar dos avanços fabulosos da física quântica e da microscopia electrónica, não se conhecem bem os constituintes da maioria das coisas – os átomos – porque ainda muito se desconhece sobre as partículas subatómicas que os formam (os electrões, os protões e os neutrões). E muito se desconhece sobre estas partículas porque muito se desconhece também sobre as partículas que formam estas, como é o caso dos quarks, ou que interagem com elas,  como é o caso dos fotões, gravitões, gluões e mensageiros da força fraca (conhecidos por W e Z).

O desconhecimento do átomo é também de natureza holista porquanto se ignora o completo jogo de interacções entre os seus componentes e sub-componentes.

 

 

Abordemos agora o desconhecimento de carácter holístico:

Um exemplo simples para compreender o holismo é o de uma fotografia de jornal de um rosto formado por miríades de pontinhos. Na figura ampliada, nenhum desses pontos, individualmente, revela uma face. Só afastando-nos suficientemente e olhando a colecção de pontos como um todo, numa escala superior, é que a imagem surge. A cara não é uma propriedade dos próprios pontos, mas da colecção formada por todos – deve achar-se no padrão e não nos constituintes. Se a natureza dos pontinhos fosse diferente mas a sua organização fosse idêntica ainda assim obter-se-ia uma imagem semelhante.

Sabemos que o cérebro humano é formado por células designadas por neurónios e que os pensamentos são gerados por impulsos eléctricos entre elas porém, dizer que os pensamentos são colecções de impulsos eléctricos é absurdo. Tão absurdo como dizer que uma sinfonia nada mais é do que um conjunto de notas ou que uma novela não passa de uma colecção de palavras.  Aqui também o conhecimento é encontrado a um nível de estrutura mais elevado do que o dos seus constituintes, isto é, possui características holistas – o todo é maior do que a soma das partes.

De modo semelhante, o segredo da vida não pode encontrar-se, apenas, nos próprios átomos, mas no padrão da sua associação – no modo como estão agrupados, na informação codificada nas estruturas moleculares.

O corpo humano é formado por dezenas de órgãos e sistemas que interagem entre si num padrão complexo e holista que não conhecemos inteiramente. Estes, por sua vez, são formados por milhões de células também associadas e trabalhando como um todo. No interior das células existe uma estrutura colectiva semelhante entre todos os organitos, substâncias e sistemas celulares. Todos os componentes e sub-componentes trabalham independentes mas associados num fim comum que tem como resultado um agregado que é um ser individual – o homem. Assim, mesmo que conhecêssemos bem todos os constituintes e sub-constituintes de que somos compostos, isso seria insuficiente, porquanto desconheceríamos ainda os padrões complexos das suas interacções e agrupamentos. São desta natureza as maiores dificuldades em compreender o funcionamento do nosso cérebro. Cada um dos biliões de neurónios que o compõem interliga-se a vários outros neurónios numa rede tridimensional muito complexa. É muito difícil rastear os impulsos eléctricos através desta rede e identificar padrões de reacção, informação e pensamento.

Passando a um nível de descrição da mente mais elevado que o das células cerebrais, as dificuldades e a complexidade não são menores. Refiro-me ao mundo dos pensamentos, sentimentos, emoções e volições. O mundo mental é povoado não de objectos materiais, mas de pensamentos. Os pensamentos podem mudar, evoluir, interagir e comportar-se cinéticamente. Podem influenciar-se e organizar-se em padrões muito complexos. Quanto maior for a sensibilidade, o número de experiências vividas e conhecimentos adquiridos maior será também destrinçar toda a trama mental no indivíduo. Traçar um mapa que envolva todos os componentes mentais (como por exemplo pensamentos, emoções, volições, etc.) e toda a rede das suas inter-relações é uma tarefa inalcansável nos nossos dias.

 

          E finalmente abordemos o desconhecimento das variâncias:

As variações obtidas a partir de um ser ou objecto pelos efeitos da alteração das suas múltiplas variáveis...

Análise Histórica / Porquê o encobrimento?

 

      Ele era Ptath. O três vezes grande Ptath. E       caminhava para Ptath. Capital do seu império de Gonwonlane. O trono do deus estava em Nushirvan. Os deuses não dormiam. ...

                    

   A. E. Van Vogt, “The book of Ptath”

 

Uma ocasião, coloquei a seguinte questão a um membro de uma religião cristã:  “Jesus, enquanto homem, transmutou o seu corpo adquirindo a imortalidade. Isto não poderá significar que nós, humanos, teremos a possibilidade de fazer o mesmo?”

A sua resposta foi:  “Não.  Jesus conseguiu fazê-lo porque era filho de Deus e porque isso fazia parte da sua missão.”

Não será isto uma desculpa para o homem?

“Se Jesus o conseguiu foi porque era diferente de nós, por isso, estamos desculpados por não tentar fazer o mesmo.”  Da mesma forma diz-se muitas vezes que determinado indivíduo  conseguiu algo na vida porque era rico, ou porque era mais inteligente, ou mais alto, etc.  Desculpámo-nos frequentemente do nosso insucesso, atribuindo ao ser bem sucedido, uma característica que não possuímos, algo que não somos. É claro que não somos todos iguais mas, isso não tem impedido que diferentes indivíduos tenham atingido os mesmos objectivos. Situamo-nos todos dentro da mesma espécie, dentro do mesmo tipo de ser.

 

 

Experimentemos fazer esta leitura da vida de Jesus Cristo:

Numa época de mentalidade rígida e comportamento regido pela Tora e pelas leis moisaicas nasce um ser que evolui mais do que os seus contemporâneos. Como fruto dessa evolução ontológica desenvolve uma mentalidade de amor, tolerância e paz. Transmite aos outros essa nova mensagem e são muitos os que o escutam e seguem.

 

A sua evolução prossegue e, como consequência, a sua consciência passa a ter acção directa sobre o meio, isto é, sobre os outros, sobre a matéria e sobre si mesmo. Estas acções directas da sua consciência sobre o meio são interpretadas como milagres: a transmutação da água em vinho, a multiplicação dos pães, a cura de doentes, o caminhar sobre a água, o ressuscitar de um morto.

 

Jesus continua o seu caminho e a sua consciência vai tornando-se o seu centro; cada vez mais dominante sobre o seu corpo e sobre o meio.  O seu corpo passa a ser, apenas, um dos instrumentos da sua consciência. Entretanto, o seu ego diminui cada vez mais, tendendo para zero.  A sua consciência, ao contrário, expande-se e identifica-se progressivamente com a consciência universal. Ele e Deus tornam-se um só.

 

A quantidade e a qualidade da energia que flui e reflui no seu corpo é cada vez maior. Consequentemente, este entra em processo de transmutação: o fluxo extraordinário de energia altera a sua estrutura corrigindo imperfeições e fraquezas.

 

No fim, Jesus sofre um ataque massivo das forças humanas que, pelo menos aparentemente, provocam a sua morte.  Porém, em si mesmo, na sua estrutura ontológica, havia já uma matriz indeformável. O processo de transmutação do seu corpo estava, nesse momento, mais adiantado do que a destruição que lhe foi infligida.  Após a morte a transmutação completa-se. O seu corpo morto é regenerado num corpo ainda mais perfeito e incorruptível.

 

 

 

 

 

PARA uma nova Corrente Artística:

o Transmutalismo

 

sinopse

 

Como já referi, criei a palavra Transmutalismo a partir de Transmutação – a transformação absoluta: de uma coisa em algo essencialmente diferente ou do indivíduo no tipo de ser que mais deseja e que mais está de acordo com a sua natureza trans-temporal.

Relacionado com todas as envolventes deste regresso do ser à sua essência surgiram novas componentes de representação artística: a nível de imagem e de semântica.

 

O transmutalismo é uma corrente artística que combate os elementos fixos na representação, sejam eles as figuras, as formas, as cores, a luz, o enquadramento espacial, o enquadramento temporal ou o conteúdo semântico de cada um deles.

Combate as identidades únicas desses elementos.

E combate os seus limites, as suas características fixas ou rígidas, as suas únicas  cores e tonalidades da luz e os seus únicos enquadramentos espaciais e temporais.

 

Em contrapartida, estimula e enfatiza a transformação e transmutação (omnipresente) de todos esses elementos.

Também encoraja a transmutação de uns elementos noutros e a troca das suas identidades. Como por exemplo: numa das projecções multidimensionais de uma obra, a mulher que acaricia a planta pode ser representada como a própria planta que acaricia. Noutra projecção podem, inclusive, trocar de identidades: a mulher é agora a planta e a planta a mulher.

A = A    e    A ¹ A . Qualquer coisa é ela própria e é diferente de si mesma – axioma fundamental do transmutalismo. A mulher é igual a si própria e tem a sua identidade de mulher, e é diferente de si mesma, possuindo projecções de todas as identidades diferentes da sua. Este conjunto imenso de identidades é que constitui a identidade global, total e completa (da mulher neste caso). A identidade é semelhante a uma nuvem de possibilidades  na qual a identidade mulher  é uma área mais densa de probabilidades. Um pouco semelhante à nuvem de probabilidades que é um electrão.

A possibilidade da identidade global mulher deslocar a sua zona densa dentro da nuvem de possibilidades para adquirir a identidade planta só depende da sua energia.

 Esta é a ideia básica da transmutação.

 

A atitude transmutalista perante uma cena ou situação é a de  representar os elementos que a compõe nos seus diferentes conteúdos e significados, nas suas diversas identidades mais actuantes ou preponderantes (nessa situação), nas suas várias formas ou projecções, nos seus diferentes tempos mais significativos, nas suas diversas cores, envolvências da luz e nos seus diversos enquadramentos espaciais.

Só esse conjunto hologramático de multipossibilidades e que é multidimensional, multitemporal, multiespacial e probabilístico é uma tradução artística aproximada daquilo que é a complexidade de uma situação real.

Há muita coisa que os olhos não vêem. Precisamente por isso, o artista tem de socorrer-se da sua metaconsciência.

 

É uma arte dinâmica. Porque tudo é movimento, transição, transformação.

É uma arte multidimensional. Porque tudo é e não é. Tudo contém em si todas as possibilidades de ser outras coisas, de apresentar outras cores, de assumir diferentes formas, de ser em diferentes tempos.

 

Como representar da forma mais completa e abrangente uma situação ou uma cena presenciada pelo artista?

Como transportá-la para uma tela?

 

Para obter o rigor da imagem superficial basta fotografá-la.

 

Mas ficaram de fora todas essas projecções e envolvências que são os vórtices dinâmicos e multidimensionais que constituem a VIDA da cena observada. A biosfera desse pequeno mundo. Poderíamos chamar-lhe a “alma” dessa situação.

A cópia dessa imagem por mais fiel que fosse não bastaria. Não passaria de um mimo. A cena teria sido mimetizada.

 

É necessária uma meta-Arte para captá-la. E o intelecto é insuficiente para o fazer.

 

Uma cena em que decorre uma situação protagonizada por alguns intervenientes é sempre demasiado complexa se a presenciarmos dentro de um perspectiva holista.

Entre cada interveniente há uma complexidade de projecções e das suas intercepções. Essas projecções interagem entre si com diversos fluxos e transacções de energia.

Cada elemento participante não influi apenas com ele próprio nos demais elementos, mas também com todas as suas projecções latentes e envolventes. Com toda a sua nuvem de possibilidades (lembra-me uma espécie de lagarto que, para assustar o adversário, incha e expande-se todo em foles e cores).

Cada elemento de uma cena, seja ele uma figura humana, uma árvore, um objecto, a atmosfera envolvente, a temperatura, o solo, o céu, uma folha caída no chão, um animal, o relvado próximo, os sons em volta, o meio envolvente mais afastado, etc. – estão, todos eles, a interagir com os demais. Visivelmente ou não.

A interacção de cada um destes elementos não é apenas aquela que é aparente, à qual chamamos visível. Cada elemento projecta de si o que é e também tudo aquilo que já foi, que virá a ser e mesmo tudo aquilo que não é.

Mas isso não chega ainda. Cada elemento é, em qualquer instante, algo multidimensional. Um aglomerado, uma nuvem de tudo aquilo que não é.

Aquilo que nos parece ser o que ele é, não passa da sua forma mais “pesada”, mais densa, ou mais estável naquele tempo, naquele espaço, naquela situação.

Mas aquilo que ele é, realmente, é uma nuvem de possibilidades de elementos ou seres alternativos.

A sua forma visível é uma região nebulosa de probabilidades, envolvida por uma nuvem de possibilidades.

Essa nuvem de possibilidades alternativas em redor da zona mais densa constitui o seu conjunto de projecções.

 

O princípio de incerteza de Heisenberg levou-nos a admitir que o electrão não é, própriamente, uma partícula, mas sim uma nuvem de probabilidades.

Diversos físicos trabalharam na Teoria do Campo Unificado. Tentaram estender o comportamento das partículas atómicas a toda a realidade.

 

A nossa percepção limita-nos quanto à visualização da natureza total das coisas e dos fenómenos.

Quando um elemento de uma situação (mais tarde enquadrado como elemento de uma composição artística) interage com os outros elementos dessa situação, não é apenas o seu núcleo denso a fazê-lo, são todas as suas projecções, isto é, a parte menos densa da nuvem.

E os outros elementos actuam do mesmo modo. É um entrecruzar de projecções, fluxos, trocas energéticas e misturas, muito complexo. É todo este conjunto de forças dinâmicas, que geram aquela situação como sendo um organismo vivo, animado de uma alma própria.

 

Depois, todas estas interacções entre os diversos elementos, se cruzam, misturam, transformam, transmutam e se conjugam em diversos fluxos de campo. Apresentam características holistas, fluxos e vórtices próprios que, por sua vez, transmitem o seu feedback aos elementos intervenientes.

 

Só a metaconsciência poderá auxiliar o artista a executar este tipo de representação.

Ela não é total.

Mas é a que mais se aproxima, no panorama actual, de uma representação completa.

Rejeita limites, é multidimensional, hologramática e caleidoscópica.

 

Transmutalismo Um Conto Ilustrativo:

  

A Escultura Viva de Tália McFee

 

Até agora o homem tem pensado e actuado.

Quando passar também a transmutar, todo o universo será diferente.

A transmutação das coisas e dos seres passará a ser um fenómeno quotidiano.

 

 

            A parede do quarto, programada para emitir aquele tipo de notícia, iluminou-se.

            E foi com a transmissão da exposição de escultura viva que Atlan acordou:

            “... e  a Vernissage ocorrerá no Grande Domo Transmutalista, às 21h do dia de hoje, sexta-feira...”, prosseguia a emissão.

            Saltou da cama radiante.

            Finalmente ia poder ver o que tanto ansiava.

            Agora, no novo mundo -T, a inovação ganhara espaço.

            E, se havia algo que Atlan não podia deixar de ver, era a escultura viva de Tália McFee.

 

            À chegada ao Grande Domo, João já o esperava.

            ¾ Fenomenal, ainda bem que vieste.  Anda, entremos.

            João já anteriormente presenciara a escultura de Tália.

            ¾ Vais ver um exemplo vivo da transmutação actuante...

 

            A sala era grande e concêntrica. No seu centro estava uma plataforma circular. O tecto era constituído por uma alta abóbada de cor celeste.

            As luzes baixaram de intensidade e a sala ficou envolta em penumbra.

 

            I Acto                        

 

            Um vulto sobre a plataforma.

            Um foco de luz âmbar incide na figura.

            É um corpo comum de mulher.

É o corpo nu de Tália.

           

            Em transparência, começam a prolongar-se do seu corpo figuras hologramáticas, como extensões.

            ¾ São as projecções alternativas do seu ser ¾  murmura João ¾ recordas-te do axioma? “...uma entidade é igual e simultaneamente diferente de si própria, contendo em si todas as entidades alternativas”?

Atlan assente que sim sem deixar de olhar para o que se está a passar sobre a plataforma.

            As projecções fantasmáticas de Tália, cerca de uma dúzia, ganham consistência à medida que o seu próprio corpo a perde e se torna cada vez mais difuso e transparente. Algumas parecem ser a própria Tália mas mais velha ou mais nova, outras parecem ser, ainda, formas antropóides. As restantes em nada se assemelham à escultora.

            As projecções multiplicam-se em centenas, milhares de formas que se interpenetram e confundem até serem cada vez menos distintas umas das outras.

            O seu corpo reduziu-se, entretanto, a um ponto de luz brilhante circundado por uma nuvem de possibilidades... de milhares de formas alternativas e coexistentes.

            ¾ É a “nuvem de possibilidades” de Tália ¾ explica João.

            A nuvem assume agora uma forma esférica translúcida de múltiplos reflexos policromáticos... como cintilações de um diamante.

            Começa a contrair-se em direcção ao seu centro, o ponto de luz brilhante.

Ao contrair-se, os milhares de conformações [possíveis] afundam-se num núcleo mais denso, com um número cada vez menor de imagens interseccionadas.

Essas imagens vão-se engolindo/absorvendo umas pelas outras até se incharem/tornarem na figura de Tália.

Tudo o que restava agora era, de novo, o seu corpo nu, envolto por uma auréola difusa de cor dourada.

 

 

II Acto

 

O corpo de Tália sobre a plataforma.

No lado oposto da plataforma há uma cascata e uma pequena lagoa onde se acumula a sua água.

 

Duas formas hologramáticas semitransparentes acompanham/confundem-se com o corpo de Tália.

É a forma de uma águia branca e de um golfinho de prata.

As três formas de Tália integram-se/clivam-se numa só e vemos dela voar uma ave imensa que cruza/trespassa a água em queda livre da cascata.

Silêncio.

Subitamente, por trás da cortina das águas, vislumbra-se um vulto em aproximação.

A água espirra e dela surge um golfinho azul que mergulha na lagoa fazendo um grande splash.

Silêncio.

Projectando-se da água da lagoa, surge um feixe cilíndrico de luz escarlate que se prolonga até ao céu, agora visível na abóbada, ornado de nuvens fofas banhadas pela luz âmbar/laranja/fúlgida/dourada  de um sol quase poente.

O tubo de luz ígnea coalesce/aglutina-se num golfinho de fogo que salta e mergulha nas nuvens douradas em cabriolas de uma alegria irresistível que nos contagia a todos em ondas e se repercute pela sala fora...

 

III Acto

 

De novo o corpo da escultora, só.

Repentinamente, salta para a plataforma uma horda de guerreiros antropóides de aspecto feroz. Estão armados com lanças, machados, espadas e maças.

Correm para Tália uivando.

Ela fita-os e do seu corpo desprendem-se/arvoram-se/orlam-na três configurações: uma criança assustada, um lobo a rosnar de pêlo encrespado, um guerreiro couraçado de armadura metálica com as cores do fogo e um ancião de longos cabelos brancos e de expressão contemplativa e serena.

Vinda dos agressores, uma flecha atravessa-lhe o peito.

O sangue espirra.

 

O corpo de Tália torna-se menos nítido e as suas diversas configurações convergem/aglutinam-se/fundem-se/condensam-se no corpo do guerreiro de armadura fulva.

Tália-Guerreiro arranca a lança do seu peito num gesto rápido.

A fenda do seu ferimento volta a unir-se e o sangue é reabsorvido.

Os antropóides aproximam-se e envolvem-na desferindo-lhe uma profusão de golpes.

Acima da pequena multidão ergue-se a espada de Tália-Guerreiro brandida com a ferocidade de um relâmpago e abrindo uma pequena clareira ao seu redor.

Vários dos agressores tombam por terra.

Inesperadamente , sobem para a plataforma mais hordas de guerreiros que convergem para Tália e a envolvem num torvelinho esmagador.

A escultora é derrubada sob o peso demolidor.

Ouvem-se estalar ossos.

 

À volta do corpo de Tália, subjugado pelas dezenas de pés dos assaltantes, surge uma nuvem difusa e ténue cintilando com uma imensidade de configurações. Adensam-se na do ancião de longos cabelos brancos e expressão pacífica que se ergue, deslizando com a fluidez de uma enguia, por entre as pernas e braços dos agressores. Estes ficam, durante um momento, surpresos e imóveis.

O rosto do ancião contempla-os, absolutamente calmo e sereno. O seu olhar é tão intenso que parece trespassá-los e prende-los na imobilidade.

¾ Gradualmente, retira-lhes a realidade ¾ segredou  João.

Os bárbaros perdem a solidez. Os seus corpos tornam-se transparentes. Cada vez mais transparentes...

Desaparecem.

 

À volta de Tália, agora outra vez mulher, estão dezenas de flores rosadas.

 

A ampla sala ilumina-se e murmúrios  de admiração percorrem a assistência.

Atlan está radiante.

As novas meta-Artes  fascinam-no, mas esta Tália McFee... excede todas as expectativas.

¾ E a rapidez com que ela se consegue transmorfosear?!...  ¾ comenta Atlan.

¾ Verdadeiramente impressionante! E a arte com que o faz!... ¾ exclama João.

Nos corredores do Grande Domo toda a gente está empolgada. A adrenalina corre forte nas veias.

 

A luz começa finalmente a diminuir anunciando o início da última parte e as pessoas vão reentrando na sala e tomando os seus lugares.

A expectativa paira no ar.

“ O que é que ela nos terá reservado para o final?”, interroga-se Atlan.

 

 

IV Acto

 

Uma mulher comum sobre o estrado.

É, de novo, o corpo nu de Tália McFee.

As luzes apagam-se por completo.

 

Lentamente, começa a distinguir-se uma luminescência no corpo da escultora.

A luminescência vai aumentando de intensidade e, agora, o corpo de Tália é bem visível.

Os seus cabelos alongam-se e esvoaçam pelo espaço circundante. A sua tonalidade torna-se de um loiro brilhante, muito claro.

Os cabelos expandem-se agora em ondas por toda a sala.

A pele de Tália assume uma cor dourada, resplandecente.

A sua estrutura muscular enrijece-se e as curvas do  seu corpo tornam-se sinuosas... vibrando de sensualidade.

Os seus olhos passam do castanho ao vermelho rubi até se transformarem em duas estrelas rutilantes, de brilho dourado...

Toda a sala ondeia com espirais douradas formadas pelos cabelos de Tália.

Atlan não resiste à beleza magnética daqueles fios de ouro rubro e estende a mão para acaricia-los:

“Como são sedosos... e tão macios...”, pensa.

 

As pernas da escultora afastam-se, deslizando, e a estrutura do seu corpo confunde-se com as linhas de força de uma pirâmide cujo vértice se alonga cada vez mais, até atingir a abóbada da sala.

Espirais de luz envolvem-na dos pés à cabeça afilando-se até ao tecto.

Em redor dos seus ombros emanam extensões vibrantes de luz dourada e ouve-se o farfalhar de mil asas esvoaçantes!...

O ar agita-se em vibrações que percorrem toda a sala.

Desprende-se de Tália um som semelhante a um canto que aumenta de frequência até se tornar o timbre de um cristal...

O seu corpo, envolto pelo holograma de mil asas douradas, alonga-se, afunilando-se até à abóbada...

...e sublima-se/volatiliza-se num clarão de luz âmbar que se espalha por todo o tecto da sala e cai, sob a forma de uma chuva dourada, sobre a assistência que fica inebriada, pulsante/revivificada/incandescente, emanando um brilho ígneo de cor rosada...

 ”Ígneos – Contos do Impossível Próximo

 

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Pogonophoros
read one of the most interesting chapters of the transmutalist book  "IGNIUS - The Book of Life"


The "Pheros"
The Pheros are beings (humans or not) of very high energy (or Igneous, "IGNIUS"). 


Transmutalism on Earth

Transmutalist Art, some Paintings. Transmutalist Art
Images and fundamentals of this new artistic and ontological current

 

Ler  "IGNIUS, O Mistério da Transmutação"   Capítulo a Capítulo:

 0.  Íris  (Fase 0) 1.  Memórias / Génese / Nascente 2.  Os Negros Anos Luz3. Kérik e a Meta-Arte, Ponto de Viragem 4.  Poente 5. Pogonóforos 6.  Aleator 7.  O Princípio da Certeza 8. O Livro das Transmorfoses