Emmanuel de Cériz
IGNIUS
.O Mistério da Transmutação.
Cap. 0 Fase - Ø
o que é preciso é ser o nada
e manejar o nada...
FASE Ø
...Fase em que todas as Fases se encontram
...e em que todos os “Tempos” se misturam
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
sete cores,
sete Sons,
sete escalas musicais...
“Ascensão MetaH”
a maior aventura do Homem
(E. Céríz, Óleo sobre Tela)
...Sete Eus,
Sete Seres...
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Qualquer Semelhança
entre esta Odisseia e a Ficção
é Coincidência.
...e coincidências são o campo de
estudo de Aleathor!
tudo está interligado
Não existe passado, presente, nem futuro.
Ou Tudo aquilo a que chamais “tempo”...
Porque Todos os Tempos
Coexistem
Em Um mesmo TEMPO.
...E Eus Sou “esse” Tempo.
A Grande Viagem da Existência:
A Epopeia do Ser
D ~~~~~~~> (H)
D’ <~~~~~~~ (H)
...porque Eus sou o Vento,
o Tempo,
a Água,
a Terra,
o Ar,
o Fogo...
...porque Eus não sou mais um eu,
Isolado,
Dissociado...
Eus Sou Tu,
E tu és Eus.
!... EUS ...!
(“A Canção do Vento”, in “O Livro de MetaH”, E. Cériz)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Íris começou por olhar para o céu e sentir que via-não-via algo de muito estranho...
Aleathor fora o primeiro a chamar-lhe a atenção para o fenómeno.
Na altura não lhe dera grande importância.
Mas agora que o observava directamente, aquilo afigurava-se-lhe como um profundo mistério!...
Como é que nunca se tinha apercebido antes?
Como é que lhe tinha passado despercebido?
Foi por isso que, alarmada, telefonou imediatamente para Atlan.
— Atlan? Sou eu, Íris. Passa-se alguma coisa. Algo de muito estranho. Preciso de falar contigo!
— Estranho?... o quê?
— Já olhaste bem para o céu?
— Para o céu?!...
— Bom já vi que não. Eu também não me tinha apercebido... aliás, lembro-me agora que, há tempos, já tinha reparado em qualquer coisa — comentou Íris procurando recordar-se — mas pensei que fosse a minha imaginação...
— Mas afinal de que é que estás a falar?
— Não dá para explicar pelo telefone. Vais estar em casa?
— Sim, vou.
— Então vou já aí ter.
— Ficarei à tua espera...
Íris dirigiu-se para o carro que estava uns metros mais acima.
— Não tenho moedas — disse ausente e pensativa para o arrumador que entretanto se aproximara.
“Mas o que é que seria aquilo?...”, reflectiu recordando-se, agora, da primeira vez que lhe parecera ter visto algo no céu. Isso passara-se durante os dias em que estivera na sua cabana da floresta. De resto, nessa ocasião, a sua visão fora pouco nítida e ficara com a impressão de que aquilo não passara da sua imaginação...
O mistério de Íris (1)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Os Personagens desta epopeia...
Ígneo(s) é um Ser Global constituído
® pelos 7 personagens principais:
· Atlan, pesquisador e unificador de muitas áreas diferentes do conhecimento... mas é também um perseguidor de Sonhos “Impossíveis” em busca da sua alma gémea
· Íris,
intuicionista,
acrobata mental e apaixonada pela natureza e pela comunicação com as árvores.
As suas pesquisas são o ‘Princípio da Certeza’ e as ‘actuâncias’ da mente
sobre o meio envolvente
· Elya Lang, é uma “semanticista quântica” e uma linguista. “Viaja” através do significado profundo dos sons em busca da Língua Perdida dos deuses: a língua única primordial.
· Atlan, a segunda personalidade de Atlan é a do artista plástico em busca de uma meta-Arte
· Tália McFee, é uma trans-escultora... e a primeira transmutal !
· Aleator, investigador da ‘Linguagem da Existência’,
do Aleatório, do Ruído Branco e do Caos
· Elin, é um físico teórico muito pouco teórico e nada ortodoxo
em busca do Cálculo Transmutacional
® ...E pelos 7 personagens de fundo:
Ptah,
um deus muito
antigo... Criou este universo não
com um “Big-bang!...”, mas sim com um “ptah!...”
Eólipus, é o indomável cavaleiro das nuvens fúlgidas
Eus, uma entidade colectiva composta por muitos eu’s
Manu, o Ser gerador da humanidade
Eoalkper Eoasell, o primordial guerreiro da ‘Liberdade Total’
Farp, uma farpa subversiva no ‘Con-Sistema’
...e eus próprio.
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
eus
Vermelho com Vermelho dá Verde
eus
Vermelho com Vermelho dá Verde
eus
Vermelho com Vermelho dá Verde
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
eu s kad i
Vermelho com Vermelho dá Verde
eus kad i
eu sou, ergo sum
eus sum, eos somos
Vermelho com Vermelho dá Verde
eg y ptah us
eg y Ptah somos
ego de/em Ptah somos/nós/us
eu em Ptah sum/sou
Eus em Ptah Sum/Somos
Eus In Ptah Somos/Us
Eusyptus
Eg Y Pth Us
Eg Y Pth Us
Egyptus
Het Kah Ptah
eus somos
! ... Eus Sum ... !
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Quando cheguei a casa de Atlan ele ouviu atentamente as minhas explicações sobre o estranho fenómeno que eu presenciara no céu e começou a deambular pensativo pela sala.
Por fim disse:
— Não sei… não vislumbro qualquer explicação para esse mistério…
— E se fôssemos falar com Aleathor? — sugeriu Íris.
— Excelente ideia — respondeu Atlan enquanto enfiava rapidamente o seu casaco de couro sintético...
O mistério de Íris (2)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
A Incompletude dos Axiomas Matemáticos:
Uma qualquer coisa é igual e
simultaneamente diferente de si própria.
Axioma I (do Transmutalismo)
‘ Axiomas’ – são proposições que se assume
serem verdadeiras sem prova. Por exemplo A=A,
“uma entidade é igual a si própria” (princípio da identidade).
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Cada ‘construção’ de um universo individual
contém também um número indeterminado de outros universos,
com todas as variações e todas as outras possibilidades.
Fred Alan Wolf
Uma entidade é o núcleo denso de uma nuvem de possibilidades
que engloba todas as entidades alternativas, isto é,
tudo aquilo que essa entidade não é!
Esse núcleo denso é a nuvem de probabilidades da entidade.
Emmanüel De Céríz
A onda quântica
não é um indicador das probabilidades da ocorrência de algo,
mas sim um indicador do que realmente está a acontecer.
A onda quântica
representa o fluxo no espaço-tempo
de todos os acontecimentos possíveis.
Everett
A = A Ù A ¹ A
E. Cériz
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
De resto, eu não podia deixar de me recordar de que fora ali, em Montserrat, nas Filipinas, durante a violenta erupção daquele feroz vulcão que eu conhecera Atlan.

Como sempre, ele aventurara-se em locais muito para além dos seguros.
“Ele não se deve ter apercebido que eu, da outra margem, o observava... tão secretamente, quanto fascinada!”, pensou Íris.
O mistério de Íris (3)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"

“Círculo de Fogo”
(E. Céríz, Óleo sobre Tela)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
TRANSMORPHOSYS
para lá chegar.
...voava dali!
Iria ser engolido...
pensou ele, já subitamente Indiferente*.
“voar”!...)
Íris.

A vida é o conjunto das
forças que resistem à morte.
Xavier Bichat
Quando interrompemos o fluxo da descrição da nossa própria pessoa, libertamo-nos do encantamento do ego que quer fazer-nos acreditar que representa a única realidade. Nesse momento podemos reconhecer a nossa verdadeira natureza de campos de energia, livre e fluida. A partir de então, podemos assumir a tarefa de nos reinventarmos de um modo intencional e voluntário, capaz de responder de novas maneiras a novas situações surgidas a qualquer instante.
“Os ensinamentos de Carlos Castañeda”, Victor Sanchez
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"

“TransMorphosys”
(Emmanuel de Cériz, óleo sobre madeira, 1999)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
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“Será que foi uma alucinação?”, pensou Íris ainda muito pouco segura do que acabara de observar, “Eu vi mesmo aquilo?!?”. Mas não conseguia impedir-se de ir avançando em direcção ao monte de arbustos por trás dos quais caíra aquele ser que supostamente se diluira e esvoaçara por cima do rio de lava fervente. Tinha de se certificar do que vira.
De súbito pensou “Será perigoso?”, e prosseguiu a sua aproximação mas de forma mais cautelosa para não perturbar o que quer que ali estivesse. “Vêr sem ser vista”, sim, isso seria o mais prudente. Sentia cada vez mais receio do que tudo aquilo pudesse significar. Mas a curiosidade era mais forte…
E então viu-o. Através da folhagem apercebeu-se que era o mesmo homem jovem que estivera, ainda há momentos, encurralado do outro lado do rio de fogo provocado pela erupção do vulcão. Ele ainda não se apercebera da presença dela e ela esquadrinhava-o de alto a baixo procurando descobrir-lhe qualquer característica invulgar que justificasse o insólito fenómeno que presenciara. Era um rapaz alto, de longos cabelos loiros e vestia-se de uma forma que continha um toque pouco comum… como se tivesse um-não-sei-o-quê de época medieval, de cavaleiro, ou algo assim. Ele encontrava-se soerguido e de perfil para Íris, como procurando recompôr-se de qualquer coisa. “Talvez da experiência por que passara”, pensou Íris.
Foi quando ele virou repentinamente a cabeça na sua direcção e, através da folhagem, os seu olhos se cruzaram.
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
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Aqueles olhos vibrantes fitavam-no com uma intensidade quase feroz, pensou Atlan quando se apercebeu daquilo que inicialmente lhe pareceram ser duas brasas que cintilavam através da folhagem. Fora a sensação de estar a ser observado e analisado que o fizera voltar-se naquela direcção. E ali estava alguém por trás daquela moita que não tirava os olhos de si. Deveria ser uma mulher porque lhe vislumbrava, por entre a folhagem, aquilo que pareciam ser uns longos cabelos côr-de-fogo.
Ficaram assim imóveis, observando-se, medindo-se, algo receosos, algo desconfiados durante o que parecia estar a tornar-se uma eternidade.
O que estariam a sentir? Ainda não se conheciam… mas parecia um daqueles momentos ainda mais mágicos do que a “magia” que tinham acabado de passar e presenciar. Talvez ainda não o soubessem definir mas era como se sentissem que algo no íntimo deles se estava a retorcer e ao mesmo tempo a tocar-se por fim, após uma longa espera.
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
Reflexão 1:
A Transmutação... será possível?
“Vagas de energia quântica traduzem-se em estruturas complexas quando se toma em consideração a famosa equação de Einstein E=mc2. Esta fórmula mostra que a energia e massa são equivalentes, ou que a energia pode criar a matéria. Partículas materiais que são criadas a partir das flutuações de energia quântica, sem qualquer introdução exterior de energia. O princípio de incerteza de Heisenberg opera como um banco de energia. A energia pode ser emprestada durante uma curta duração, desde o momento que seja paga prontamente.”
“Ao ir buscar energia emprestada, um fotão pode transformar-se temporariamente num par electrão-positrão, ou num par protão-antiprotão. Foram feitas experiências para os apanhar em flagrante. Uma vez mais, um fotão ‘puro’ nunca pôde ser destilado a partir desta complexa rede de transmutações.”
Paul Davies
“Quem não se sentir chocado com a Teoria Quântica é porque a não compreendeu.”
Niels Bohr
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
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Quando Íris saiu da folhagem e os dois se viram frente a frente sentiu que ele estava tão estupefacto quanto ela com tudo aquilo. Pareceu-lhe que ele não tinha a certeza de que ela o tivesse ou não observado. De qualquer modo não havia tempo para conversar. Ele ofereceu-se para a conduzir sem demora a um porto seguro, e ela aceitou. Urgia abandonar a ilha.
Só muito mais tarde, perante a insistência de Íris, Atlan lhe falou sobre o que quer que pudesse ter ocorrido com ele próprio, ali, durante a violenta erupção do vulcão.
Ele introduziu a mão na sua pequena mochila e retirou de lá um livro espesso.
– Esta é uma edição do “Livro dos Mortos” do Antigo Egipto. Talvez o livro mais antigo da humanidade – explicou. Possivelmente escrito há cerca de 7.000 anos!... mas uma tradução mais exacta do seu título seria “Livro da Saída para a Luz de o Dia”. Quanto a mim, prefiro chamá-lo de “Livro das Transmorfoses”...

– “Transmorfoses”? – interrompeu Íris.
– Sim, é como designo as mutações temporárias da forma de um ser. Este livro leva a crer que esse era um tema da maior importância para os antigos egípcios. Repara, por exemplo, neste capítulo...
Abriu o livro numa página seleccionada e eu li:
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
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há 7.ooo anos
do ‘Livro das TransMorfoses’...
Capítulo LXXXVI
Para ser transformado em Andorinha
Eu sou uma andorinha, uma andorinha…
Eu sou também a deusa Escorpião, filha de Rá…
Oh! deuses quão doce e agradável me é vosso perfume que arde e sobe para o horizonte!
Vós que habitais a Cidade Celeste!
Estendei-me vossas mãos protectoras para que eu possa, sem perigo, residir no Lago de Fogo!...
Pronuncio as palavras de Poder, digo: “Olhai bem, Eu sou Hórus, eu me apodero da Barca Celeste e torno a pôr em seu trono Osíris, meu Pai.
...também chamado ‘Livro da Luz’
...também chamado ‘Livro dos Mortos do Antigo Egipto’

Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
APONTAMENTO #1: As “Estrelas Imperecíveis”

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ANDORINHA (menet)
Semelhança:
Várias espécies de andorinhas cruzavam os céus do Egipto. Como os artistas
egípcios nunca eram consistentes nas colorações da plumagem das aves, é pouco
claro qual seria, se é que algum, o simbólico pássaro. Mas, pelo formato do
corpo da ave nos hieróglifos e nas pinturas, o pássaro seria, possivelmente,
um membro da família das andorinhas.
Significado: Durante o Antigo Reinado, as andorinhas eram associadas às estrelas e só posteriormente às almas. O capítulo 86 do Livro dos Mortos instrui mesmo o ser humano a transformar-se em andorinha. No encantamento 1216 dos Textos das Pirâmides, o Faraó descreve como ele “foi parar à grande ilha no meio do Campo das Ofertas no qual a andorinha dos deuses ilumina. As andorinhas são as estrelas imperecíveis.”
“As Estrelas Imperecíveis” eram aquelas que, junto à Estrela do Norte, nunca pareciam descer ou subir, mantendo-se assim “constantes”.
Na poesia egípcia romântica, a andorinha significava a alvorada de um novo amor...

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ESTRELA (seba)
Semelhança: Os Egípcios possuíam um conhecimento profundo do céu nocturno e das estrelas. As estrelas circumpolares eram chamadas por “As Imperecíveis”. A maioria das estrelas mais brilhantes foram nomeadas pelos egípcios e designaram também trinta e oito constelações. Estas constelações eram usadas para dividir o céu nocturno em “decanos” (da palavra grega que significa “dez”). Os decanos eram chamados “os trinta e seis deuses do Céu e cada um governava por dez dias em cada ano.
O símbolo Egípcio Hieroglífico para as estrelas era um símbolo representado por um desenho linear de cinco pontas, assemelhando-se às estrelas domar (aka “estrela-peixe”) que habitavam o mar vermelho.
Significado: A infinita e imutável natureza das estrelas em muito influenciou o desenvolvimento do calendário egípcio e as suas crenças numa vida após a morte. Cada templo egípcio era um complexo modelo do cosmos, existindo aí muitas imagens de estrelas, constelações e divindades estelares nos seus tectos. O hieróglifo do Sol e o corpo de Nut, a deusa do Céu, eram muitas vezes decoradas com estrelas de cinco pontas.
Acreditava que as estrelas não apenas habitavam este mundo, mas também o Duat (a terra da além-vida). Os Egípcios acreditavam que o ba do morto deveria ascender ao céu para aí viver como uma estrela. Muitos túmulos possuíam tectos de um azul profundo salpicados de brilhantes estrelas amarelas iguais ao hieróglifo na esperança de que o ba se sentisse “em casa” no seu novo domicílio.
As estrelas era chamadas as “Seguidoras de Osíris” e representavam as almas no além-mundo. A estrela de cinco pontas dentro de um círculo era o símbolo Egípcio que representava o Duat, o “além-mundo”.
Mas existe ainda a enigmática estrela de Sete pontas do Rei Escorpião, o criador do Egipto...
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
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Mais tarde, Atlan explicou a Íris que uma das alavancas que lhe permitiu escapar com vida daquela aflitiva situação em que se encontrara, rodeado pela lava fervente, fora um invulgar *estado de indiferença que dele se apoderara quando esgotara todas as outras possibilidades de fuga...
Mas Íris queria saber mais, muito mais. Subitamente sentia-se acometida por uma incontrolável curiosidade em conhecer Atlan e tudo o que o levara até ali, até àquela estranha façanha. Queria saber as suas motivações e os seus objectivos profundos porque principiava a pressentir que eles se relacionavam de algum modo com os seus próprios.
Atlan confidenciou-lhe então que a “transmutação” representava o sonho e o trabalho de toda uma vida, de toda a sua vida...
Íris pediu-lhe para a esclarecer melhor sobre o que é que ele queria dizer com essa “transmutação”.
– Desde a minha mais remota infância que sinto haver em nós uma enorme verdade escondida – respondeu – uma verdade capaz de transformar tudo. Capaz de transformar completamente a nossa relação com o que nos rodeia e... até de nos transformar a nós próprios!
– Capaz de nos transformar a nós próprios?
– Sim, capaz de nos transformar a nós, meros seres humanos, em seres semelhantes a deuses!... – disse ele enquanto estendia os braços... muito abertos!
E Íris ficou ali, abismada com tão estranha revelação a olhar para aquele jovem homem e a pensar que ele dedicara toda a sua vida a perseguir um sonho tão inédito quanto aparentemente impossível: o de se transmutar!
Enquanto contemplava o seu olhar profundo parecia-lhe estar a viver uma espécie de sonho acordada. Ela própria vinha investigando o tema da transmutação há vários anos, embora de uma perspectiva mais impessoal, mais teórica, mais relacionada com a transmutação física dos elementos... e, mesmo assim, muitas vezes se interrogava se não estaria a perseguir uma quimera e a perder o seu tempo numa pesquisa impossível. Porém, pela primeira vez na sua vida, tinha acabado de encontrar alguém que parecia acreditar ainda mais naquilo do que ela.
Quis saber o que ele tinha já descoberto, até onde tinha ele chegado, quais tinham sido os seus passos.
Atlan começou então a contar-lhe que a sua longa investigação se iniciara há muito tempo atrás, ainda na sua infância, com uma coisa a que ele gostava de chamar “a teoria do puzzle”...
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"
A Teoria do Puzzle...
Atlan sempre fora uma criança muito diferente das outras. Possuía uma forma tão invulgar, tão clara e tão estranhamente pura de ver as coisas que parecia deixar adivinhar em si uma qualquer natureza alienígena... como se viesse, não daqui, da Terra, mas de um outro mundo distante.
A sua vida sempre fora pautada por retumbantes brilhantismos nas áreas mais diversas, assim como por desencantos e totais períodos de desinteresse.
Nasceu morto, vítima de um parto difícil e para além da época.
Quando, finalmente, abriu os olhos para o mundo, achou que ele deveria ter mais cor, mais beleza, mais amor e, sobretudo... deveria ser mais delicado. Foi essa falta de delicadeza e sensibilidade com que deparou que o levou a esbarrar, várias vezes, com os que o rodeavam. Sentia-se como uma lisa placa de cristal, coberta apenas por uma fina camada de cera, que aterrava numa terra de arestas pontiagudas e escarpadas que feriam a sua sensível superfície... rasgando nela rudes e violentos sulcos.
O mundo que percepcionava labutava já, frenética e atarefadamente, numa algazarra de agressividade e truques de competição que, aos olhos do pequeno Atlan, era egocêntrica e grotesca.
No entanto, havia muitas outras coisas, no mundo, que o fascinavam e a sua maior paixão era descobrir, descortinar “o que era tudo isto” no qual se encontrava inserido.
Foi assim que, aos seis anos, quase dois antes da sua entrada para a escola, esboçou a sua primeira teoria: a “teoria do puzzle”...
...havia no mundo, na vida, na existência em geral, uma grande quantidade e diversidade de “peças” soltas (como num “puzzle” ou “quebra-cabeças”) — ainda que fosse, de facto, uma quantidade bem pequena quando comparada com a imensidão da “imagem” total, constituída por todas as “peças” da existência.
Num típico jogo de puzzle, reconstituir a imagem global era uma tarefa simples: bastava, para isso, procurar e encaixar as peças em falta.
Mas o mesmo não se passava com a “Imagem” do mundo, com a “imagem” da Vida e da Existência: havia muitas peças que faltavam e que não era possível encontrar — porque não estavam ainda disponíveis pelo conhecimento humano.
Pelo menos fora isso que concluíra pelas respostas dos pais e das outras pessoas que conhecia em relação a algumas das perguntas que lhes colocara:
“— Isso ainda não se sabe.”
“— Não sei. Penso que não se sabe nada sobre isso.”
“— Isso ainda não foi descoberto. Ninguém sabe.”— diziam-lhe.
Portanto, pensou o pequeno Atlan, havia muitas “peças” que eram inacessíveis.
Já o mesmo não se passaria com outras, que as pessoas apenas desconheciam — por ignorância, ou por falta de paciência em explicá-las a uma criança como Atlan; e, nesses casos, respondiam-lhe apenas:
“— Isso ainda não é para a tua idade!”
“Bem”, concluiu Atlan, “em relação a estas últimas «peças» — a este segundo tipo de conhecimentos ignorado por muitos mas conhecido por outros: pela ciência humana actual — será simples: bastará, para isso, aceder a todas essas fontes de conhecimento... às livrarias, por exemplo. Mas...”
“Mas, para isso, terei que aprender a ler!...”
“Terei mesmo que enfrentar a clausura de uma escola!...”
Para Atlan, essa perspectiva não era muito agradável... Ele, que sempre adorara a Liberdade!
Mas restava ainda o outro tipo de questões fundamentais cujas respostas ninguém parecia conhecer. E como encontraria ele essas “peças”?... essas “peças” da “imagem” global da existência — do “o que é a existência?” — que o pequeno Atlan procurava reconstruir, como se de um puzzle gigantesco se tratasse...
Sim. E como?... Como descobrir, por si próprio, aquilo que a ciência ignorava ainda?
Seria possível?
A ideia reveladora surgiu-lhe como que por mero acaso.
Foi durante uma desses longos momentos que ocorriam quando sua mãe encontrava uma amiga na rua e conversava sobre coisas que nada diziam a Atlan. Ainda por cima, ele ficava ali preso, pela mão da mãe, sem poder saltar e brincar nas suas loucas cavalgadas imaginárias.
O seu espírito irrequieto era por demais activo para ficar parado, imóvel, por tanto tempo. E, já que o seu corpo não podia mover-se, restava-lhe mover o seu espírito.
Foi assim que começou a entreter-se, ao olhar para o molho de chaves que sua mãe agitava enquanto conversava:
“Como será uma fechadura por dentro?”
“Qual será o tipo de mecanismo que permite, às chaves, abrir e cerrar as fechaduras das portas?”, foram os seus primeiros pensamentos.
Talvez que se Atlan tivesse, naquele momento, os movimentos livres, se aventurasse a desmanchar uma fechadura e a ver qual seria o seu mecanismo interior.
Mas encontrava-se restrito à prisão da imobilidade... e restava-lhe apenas o seu pensamento para descobri-lo.
O que o terá levado a enveredar por “caminhos” menos experimentalistas...
...Sentiu a sedução do processo de descoberta realizada sem ver o interior do objecto que pretendia conhecer...
“Era muito interessante”, pensou, “e era um óptimo entretinimento para se distrair durante as horas de interminável “seca”.
A fechadura, que era tapada, oculta — e que nem sequer estava ali presente — era como um espécie de “caixa negra” para Atlan, que desejava “adivinhar-lhe”, ou “deduzir-lhe” o seu conteúdo.
Restava-lhe, assim, tentar descobrir como seria o mecanismo no interior dessa “caixa negra” através, apenas, das suas relações com o meio, isto é, através das interacções da “caixa” com a chave.
Começou por olhar atentamente para a forma das chaves e para todas as suas ranhuras...
E foi assim que esboçou toda uma série de processos mentais baseados no que, ele não sabia ainda, se designaria por indução, lógica, dedução, intuição, extrapolação...
Atlan ficou fascinado com a sua “teoria da caixa negra” porque se apercebeu, imediatamente, que ela o poderia ajudar imenso... A descobrir quais e como eram essas “peças” em falta: essas “peças” ainda desconhecidas pelo homem. Esses “fragmentos de imagem” do seu enorme “brinquedo”: o imenso “puzzle” da “imagem” do universo.
Portanto, as suas teorias da “caixa negra” e do “puzzle” completavam-se!...
Curiosamente, poucos anos mais tarde, um grupo de cientistas norte-americanos viria a elaborar uma teoria cibernética muito semelhante à sua: à qual chamaram — também por curiosa coincidência — “the black box theory”, a teoria da caixa negra. Que constituiu um dos marcos mais significativos da ciência: através de diversas operações mentais e da análise das interacções de um objecto cujo interior é desconhecido (“black box”), algoritmizar o seu funcionalismo, para chegar a inferir, a descobrir, como é o seu mecanismo interior – sempre sem o ver.
Mas a “teoria do puzzle” de Atlan prosseguia, mesmo durante as suas brincadeiras e tropelias: a sua actividade física sempre fora, e continuou a ser, muito intensa.
E a sua “teoria da caixa negra” era apenas um auxiliar — ainda que poderoso — para a descoberta “disto ao nosso redor” pelo qual nos encontramos todos envolvidos, e “daquilo que somos” afinal.
Mas, para Atlan, a palavra “descoberta” não era a sua preferida. Preferia a palavra “integração”... Integração das peças do seu puzzle gigantesco.
Quanto mais gigantesco, tanto mais o desafiava e fascinava...
E tudo lhe servia para tentar obter novas “peças” para o seu “puzzle”: todos os conhecimentos, analogias e inferências fornecidas pelas mais diversas ocorrências do seu quotidiano infantil.
Mas apercebeu-se, muito rapidamente, de que nem todos os conhecimentos “apanhados do chão”, ou mesmo os deduzidos, poderiam ser considerados “seguros”, isto é, fiáveis e certos.
Havia muitas coisas que pareciam, mas não eram...
O que fazer com esses “conhecimentos”, com essas “peças” dúbias?
Não as poderia, simplesmente, jogar fora.
Quem sabe, até viessem a ser futuramente confirmados. Ou, apesar de aparentarem ser de todo irreais, talvez tivessem alguma coisa de aproveitável. Ou, mesmo ainda que completamente falsos, talvez deles se pudessem inferir “coisas” verdadeiras...
“Se aquilo é falso, então é porque é falso em relação a alguma coisa verdadeira”, reflectiu Atlan.
E seria, portanto, mais fácil descobrir o que seria verdadeiro — porque pelo menos uma coisa, a falsidade, já estava eliminada...
Mas, para suportar toda essa grande (talvez mesmo maioria) de conhecimentos dúbios ou “inseguros” no seu “puzzle” mental, tornava-se necessário criar um grande ‘espaço’ na sua mente.
Como o seu ‘espaço’ ou ‘área de memória’ não lhe parecia ser infinito, começou então por menosprezar a memorização de uma grande quantidade de pormenores que não lhe pareciam relevantes e significativos, tais como as longas e aborrecidas conversas dos seus familiares e amigos, os números em geral (dos telefones, das casas, das datas dos acontecimentos, dos aniversários), e os nomes de pessoas.
Só dava primazia à memorização — ou melhor, à compreensão — de conceitos, de ideias, descobertas e teorias...
...eram esses os seus “cromos” favoritos.
E para manter em memória também todos os ‘conhecimentos dúbios’ criou um sistema mental que chamou de “gavetas abertas”: tudo aquilo de que não estivesse seguro ou certo, deixava numa “gaveta” aberta da sua enorme “estante” conceptual de memória.
E foi assim que, sem se aperceber do exagero, desenvolveu uma memória quase inteiramente conceptual...
A sua memória conceptual conduzia-o a um total desinteresse em “decorar” coisas: por exemplo datas e nomes de reis. Eram ‘pormenores’ que para Atlan nada significavam. O que, para ele, era realmente importante, era compreender as coisas e o ‘como’ e o ‘porquê’ dessas ocorrências. Sem isso, pouco conseguia memorizar.
Apesar disso, mantinha um rendimento geral semelhante ao dos outros alunos. Embora, é claro, não sabia muito bem o que é que estava a fazer ali, na escola, onde as pessoas pareciam papagaios, constantemente a repetir, a repetir... coisas que, para Atlan, na sua maior parte, não faziam qualquer sentido...
...como o “A, E, I, O, U”. Porque é que era obrigado a decorar o “a, e, i, o, u”?... não conseguia compreender o que é que aquilo poderia significar!
E como não compreendia, não fixava.
O que Atlan não sabia ainda é que não há nada para compreender no “A, E, I, O, U”. Porque o “a, e, i, o, u” não significa coisa alguma!...
...e se significa — o que eu penso que sim; que na verdade até se poderiam escrever livros inteiros apenas sobre o “a, e, i, o, u” (mas isso virá, mais tarde, a ser o trabalho de pesquisa de Elya Lang e da Semântica Quântica do Som...) — ...e se significa, dizia eu, então, seguramente, não seria algo que os professores lhe pudessem explicar... porque eles próprios também não sabiam, nem nunca tal lhes ocorrera!
Atlan gostava muito de folia e de brincadeira e sempre sentira desprezo pe