Emmanuel  de  Cériz

IGNIUS

 .O Mistério da Transmutação.

 

Cap - 10

 


 

EPÍLOGOS

 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

O Senhor do Fogo

 

 

“Vimos que o neutrão desaparece passados alguns minutos, desintegrando-se noutras partículas, incluindo um protão, se nenhuma acção perturbadora for exercida sobre ele. A ser possível provocar a reacção inversa, projectando os produtos da desintegração uns sobre os outros, com velocidades simétricas, por forma a colidirem simultaneamente no mesmo local e com as mesmas posições relativas, é muito provável que conseguíssemos recriar o neutrão. E se esta transformação do protão em neutrão fosse reversível, sem modificação das equações que a descrevem, então teríamos de concluir ser ela independente do sentido do tempo. Ora, tal experiência é talvez impossível na Terra, mas tudo nos leva a crer que se produza no centro denso e escaldante das estrelas.”

                                                            Robert Gouiran,

     Elementos de Física Nuclear

 

 

Ele estava lá. Em cima do braseiro ardente.

Ele, o Senhor do Fogo.

Eu vi-o, uma forma não nítida.

A imagem ondulava. Como ondulam as imagens nos dias de sol intenso acima do asfalto tórrido.

Aproximei-me. O som “iii” entoava no meu espírito.

Pensei na alquimia do fogo e da água.

Portanto eu, apesar de ser fogo, agora seria água.

Despedi-me, por momentos, do meu eu racional e comecei a vê-lo mais nitidamente.

O significado profundo da transmutação preocupava-me...

“Será que ele poderá auxiliar-me de alguma forma?”, pensei.

Como se tivesse compreendido a minha interrogação interior, Djin convidou-me para me sentar junto dele.

Num momento sem tempo.

Estava um dia frio e ventoso (as folhas outonais voavam pelo ar) e portanto foi bom quando senti o calor que o rodeava.

Agora estávamos os dois sentados lado a lado como bons amigos. Sentia que já o conhecia há longo, longo tempo.

Ao nosso redor não havia vento mas um certo odor tropical. Desprendiam-se fragrâncias de palmeiras e praias batidas pelo sol. ali, naquela floresta despida e outonal, o tempo parara.

Já não importava. Era bom estar ali naquele momento eterno. Ali não precisava de casa nem de comer. Ali não precisava de me vestir ou dormir. Ali não precisava de acordar ou trabalhar. Nem sequer de falar.

Entendia-mo-nos na linguagem do silêncio.

Um pequeno gesto, o evocar de uma imagem.

Um som, uma sensação.

Um símbolo desenhado no chão.

Uma osmose de espíritos.

Uma fusão.

 

Como era bom sentir o ambiente em festa quando olhava para a fogueira e via dezenas de pequenas criaturas ígneas dançando à sua volta.

 

Ali tudo se misturava. todos os tempos coexistiam.

“Como vivemos apenas como silhuetas, como imagens num filme. Aprisionados nas nossas três dimensões e meia... que não dominamos...”, reflecti recordando a existência comum, fora daquele tempo e espaço.

“...essa existência castrada pela razão. Razão que só me permite percepcionar uma parte muito pequena da realidade...”

 

Depois foi tudo como um relâmpago.

Cometas saltaram, encheram o céu de rasgões de fogo.

Vi-me na fornalha termonuclear de uma estrela.

Djin estava ao meu lado.

Ali, no núcleo ígneo daquela estrela era realizada a transmutação dos elementos.

Djin estendeu o dedo e eu vi como os átomos se transmutavam.

 

Eu conhecia a Física Nuclear, mas o que via era mais profundo.

Tinha a ver com vibrações, com fogo e calor.

Energia...

Fluxos e refluxos.

Consciência e sono. Consciência e ‘desconsciência’.

Alquimia do nada com o todo.

Conformações quânticas. Degraus de estabilidade.

Mas a consciência estava lá. Permeava tudo.

Reflexos.

Indução das matemáticas transcendentes.

O jogo com o infinito.

Por um breve momento vim à tona com o pensamento: “A transmutação é, talvez, a única coisa realmente complexa...”

Prossegui, envolvido de novo pelo redemoinho rodopiante da minha compreensão:

Glupáviz.

Glupáviz? O que era “glupáviz”?

– Uma palavra símbolo que sintetiza a ideia do processo de transmutação...

GLUPÁVIZ.

Gluões “trabalhavam” afanosamente na elaboração de núcleos complexos.

Aglutinadores.

Aglutinar era a sua função complexa. A função activa.

Como eram engraçados esses gluões.

Pequenas bolinhas âmbar de cor osmótica.

Pequenas bolas osmóticas de cor âmbar.

Bolinhas de mel.

Glupavam-se. E glupavam-se.

Anéis... em anéis.

...

Estava fatigado.

Já não conseguia ver mais nada.

Toquei na incandescência viva que estava ao meu lado e disse-lhe:

¾ Djin, podemos marcar outro encontro para breve? Gostava muito de continuar a observar a transmutação...

Obrigado!

 

Ele piscou-me o olho, compreensivo.

 

Recolhi-me rapidamente para o nosso mundo comum do dia-a-dia, onde estava com uma fome tremenda.

“Filetes de pescada dourada ou Cordon Bleu?”, pensei esfregando as mãos, enquanto me aproximava a passos largos do pequeno restaurante que ficava nas redondezas.

 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

            Eles eram os filhos do Sol.

            Filhos de uma realidade diferente.

            Outrora foram o próprio Sol,

            uma entidade colectiva.

 

            Eles eram os filhos do Sol

            e estavam de volta.

 

            Tinham-se despido dos seus corpos ígneos

            e estilhaçado no frio da matéria.

 

            Mas agora estavam de volta.

 

            Soltavam um cântico sideral.

           

Como golfinhos de fogo,

            sulcaram as nuvens douradas do céu

            e refundiram-se no Sol.

 

            Agora todos eles eram mais do que uma família,

            eram um só,

            distribuídos em vários corpos e mentes.

 

            O Sol era Homem e o Homem era Sol.

Todos os tempos eram um mesmo tempo.

Todos os seres o mesmo ser.

...

No início,

o “país do sol” fora um berço,

mas os anos tinham passado

e os séculos ventado, ventado...

e os filhos do Sol esqueceram-se de si próprios,

de quem eram,

da sua essência,

e enterraram-se e misturaram-se com a Terra.

 

Tinham mergulhado no oblívio.

Haviam perdido a Memória:

Durante uma longa ausência,

tornaram-se humanos.

 

Mas persistira sempre uma nostalgia

indefinível...

e um brilho ígneo no olhar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

Um Conto Trans

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

 

 

EPÍLOGO PERDIDO NO TEMPO

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

Totalmente Rebeldes

– Um Grito de Liberdade

 

 

            Sempre fui um rebelde.

            Toda a vida me disseram para ser como os outros.

            Mas nunca acatei o tempo nem a morte.

            Nunca gostei de mexer o café no sentido dos ponteiros do relógio. Gosto de o mexer no sentido contrário. Ao do tempo.

 

            Sei que pareço nadar contra a corrente..

            Mas não existirão mais realidades como eu?

– que não queiram sujeitar-se aos mecanismos da existência?

 

Se, pelo menos, há o direito a ser diferente, porque não terei eu o direito a recusar o domínio do meio sobre mim?

Não existirão outros como eu, dispersos, por esse mundo fora?...

– Totalmente Rebeldes?...

(Ou; não  o seremos todos um pouco?)

 

Tudo nos parece dizer que na natureza tudo perece, tudo morre, tudo envelhece, tudo definha, tudo tem os seus limites, tudo está sujeito a um poder maior, as coisas são apenas o que são...

– eu quero ser tudo!

 

 

Mesmo as doutrinas mais profundas e elevadas, subrepticiamente, nos aconselham a aceitar os mecanismos da existência; falam-nos de infinito mas continuam a reduzir-nos à sujeição. À insignificância da sujeição aos elementos.

Falam-nos de paranormal e das nossas imensas capacidades, mas dizem-nos que há certas fronteiras e limites... ...e quanto ao que toca à transmutação – a quebrar, a furar as leis que nos regem a nós e aos outros seres vivos... faz-se silêncio! É tabu! É heresia! É falta de humildade, é ambição,...,é loucura!

 

Há sempre um acarneirar... há sempre fronteiras.

E eu não aceito fronteiras, quaisquer fronteiras!

Nem limites, nem sujeições.

Haverá outros “loucos” como eu?

 

Terá de haver sempre um “mestre”?

Não podemos, nunca, deixar de acarneirar?

 

 

É apenas isso que eu sou:

– um grito.

Apenas um grito.

            De revolta e liberdade!

Pelo direito de ser,

“o que me der na gana”!

 

 

Atlan,

Eus Kad i, Outubro 2000


 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

 

 

EPÍLOGO PARA ALÉM DO TEMPO


 
 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

E um dia sorriremos sempre

.........

Quando caminharmos, levitaremos

.........

E jorrará luz dos nossos olhos

.........

F. Alan Wolf, “Spacetime and Beyond”

 

 

 

 

 

 

 

 

E todos os tempos se encontrarão num mesmo tempo

|

E todos os espaços num mesmo espaço

|

E não haverá mais dor

|

Nem necessidade

|

da morte.

|

 

                        E. de Cériz



 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

Tudo era agora muito diferente no universo

 de Íris, Atlan, Tália, Elin, Aleathor...

 

 

 

 

...Mas todos eles ansiavam

 por uma nova fase...

 

 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

Dia do Sol (sunday), 20 de Maio de 2001, às 21.30 h, conclui finalmente (!)

a escrita do meu 'livro'  "Ígneos - Operadores do Impossível Próximo" !...

 

...que havia iniciado há 5 meses atrás, no dia 20 de Dezembro de 2000.

 

O ‘livro’ é um 5º elemento, resultante da fusão de quatro eixos de pesquisa (Transmutalism, Quantum Physics, Quantum Semantics of the Sound and Linguistics, and Compared Historical Research).

 

(...apenas mais uma curiosa coincidência: nestes 5 meses escrevi as cerca de 500 páginas que compõem o livro!)

 

obrigado a todos e ao Todo, 

 

f, Atlan,

VN Cerveira, 20.05.2001

 

 

Sunday, on the 20th May 2001, at 21.30 o'clock, I finally (!) finished

to write my 'book'  "Igneous - Operators from the Near Impossible" !...

 

...which one I began to write at 5 months back, on the 20th day of December 2000.

 

The ‘book’ it’s a 5th element, resulting from the fusion of four axes of research (Transmutalism, Quantum Physics, Quantum Semantics of the Sound and Linguistics, and Compared Historical Research).

 

(...just one more curious coincidence: in these 5 months I wrote the 500 pages that compose the book!)

 

thanks to everybody and to the Whole,

 

f, Atlan...    Wallis.Sir@gmail.com

 

www.geocities.com/transmutalismo

 

 

Emmanuel  de  Cériz,   "IGNIUS - O Mistério da Transmutação"  (10)


 

 

 

 

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