Emmanuel de Cériz
IGNIUS
.O Mistério da Transmutação.
Cap - 2
D ® 0
h ® ¥
[quando o “estado divino” (ou “Deus”) tende para ZERO (0),
o “estado humano” tende para infinito(¥)]
...Deus apaga-se
...e nasce o homem.
...São os Longos Anos Negros da Escuridão;
da Ignorância;
da Perda de MEMÓRIA;
e do Obscurantismo...
...efeitos simultâneos da
Poderosa Máquina de
PROPAGANDA...
...é aí “Onde Mora o Mal” !
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
FASE II
os negros anos luz
Será possível transformar
a escuridão em luz?
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
D ® 0
h ® ¥
[quando o “estado divino” (ou “Deus”) tende para ZERO (0),
o “estado humano” tende para infinito(¥)]
...Deus apaga-se
...e nasce o homem.
...São os Longos Anos Negros da Escuridão;
da Ignorância;
da Perda de MEMÓRIA;
e do Obscurantismo...
...efeitos simultâneos da
Poderosa Máquina de
PROPAGANDA...
...é aí “Onde Mora o Mal” !
tudo está interligado
As III Fases
Nascente Os Negros Anos Luz Poente
D®h h h®D
h = Æ D = Æ h = Æ
A Grande Viagem da Existência:
A Epopeia do Ser
D ~~~~~~> (h)
D <~~~~~~ (h)
... H = D (?)
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
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Um dia Atlan conduziu Íris ao Instituto de Estudos Quânticos e aí apresentou-a a um dos seus maiores amigos: Aleator.
Aleator era um investigador que procurava conciliar duas grandes áreas de pesquisa: a psicologia e os fenómenos aleatórios. Conhecia Atlan desde a sua infância e seria ele quem lhe viria a revelar muito sobre esses seus longos períodos de desânimo.
Atlan tentara por diversas vezes aceder aos “céus” para aí se transmutar mas, de cada vez que não conseguira aí fixar-se e consumar a sua transmutação, despenhara-se nos mais terríveis “infernos” existenciais.
Por vezes ficava num estado de inanição e num desinteresse tão grande que era como se morresse temporariamente. Então isolava-se de tudo e afastava-se, desiludido, ao encontro da morte.
As suas saudades do “céu” eram tão grandes que não suportava a perspectiva de nunca mais para “lá” poder voltar; foi isso o que sentiu Íris enquanto escutava Aleator contar-me sobre a carta que recebera de Atlan em 1997:
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
Inferno
Na primavera de 97 Aleator convenceu-se que, de facto, era verdade.
Atlan desaparecera.
A carta que recebeu, na véspera da sua partida para o Kasaquistão confirmou as suas suspeitas. Continha várias folhas e a que caiu ao chão foi a que leu primeiro:
“13 Abril 1997
Amigo Aleator:
Pronto, estou no inferno!
Eu sei que não me devo lamentar. Sei que mereço cá estar. Mas julgo também que não me é negado o direito a escrever sobre isso. A desabafar no papel toda a tortura que me vai na alma... Não o faço apenas por isso, mas por que sinto que, apesar de tudo – e de toda a loucura – houve uma multidão de acontecimentos e de experiências, muitos dos quais singulares e fantásticos, que devem ser registados e analisados.
Apesar de tudo, e de ter desembocado neste beco estéril – o “inferno” – não deixou de ser uma odisseia estonteante, uma acrobacia ontológica, uma aventura louca!... que talvez eu gostasse absorvidamente de ler, não tendo sofrido e sangrado tanto por tê-la vivido e não sufocando tanto com os remorsos pelo que fiz passar a mim e a outros...”
Enquanto lia, as palavras passavam vertiginosamente pelos seus olhos deixando-o completamente absorvido. As paredes e o chão à sua volta apagaram-se envolvendo-o na escuridão.
Então era assim que se sentia o canto do cisne?... uma melodia louca que se escondia por trás das palavras fazendo saltar um barulho imenso de silêncio?...
Havia algo de definitivo no que lia. Uma sensação de “fim”.
Era algo que deixava Aleator estupefacto pois, sem se ter apercebido, Atlan havia-o impregnado, ao longo dos anos, de um sentimento de eternidade, de imortalidade; como se fosse uma pessoa que não acaba nunca. E no entanto, racionalmente, ele nunca o admitira.
Não conseguia parar de ler:
“Fui um louco, um megalómano, um mitómano e um egocêntrico.
E, ao mesmo tempo, paradoxalmente, não fui nada disso: fui apenas um miúdo que tentou ser um deus. Que acreditou possível e justo transformar-se num ser ilimitado e arrastou o seu ser humano, falível e frágil com muitos defeitos e algumas virtudes, como a maioria dos seres humanos, numa esforçada maratona sobre-humana que pôs mais em evidência as suas vicissitudes do que as suas qualidades e redundou numa marcha egocêntrica e trágica.”
Numa outra folha continuava assim:
“Ao tentar, num esforço titânico, tornar-me o céu, caí no inferno. Mereci-o. Desprezei o direito de outros àquilo que me parecia pequenez, desinteresse ou descrença na transmutação pessoal. Vi-os apenas como vultos que se movimentavam à minha volta. Uma sensação de desprezo se foi lentamente apoderando de mim por sentir um desprezo semelhante, nos outros, pelo alcançar do ‘céu‘ aqui na terra. E, subrepticiamente, as minhas qualidades se foram pervertendo deixando-me apenas a ilusão de que permaneciam.”
“Fiz muitos estragos. Passei por cima de muitas e importantíssimas coisas. Desrespeitei a fragilidade humana que é afinal como a minha própria. Achei que o meu plano, o meu projecto, era o mais importante e que todos tinham o dever de me abrir passagem. Fui intolerante e parcial para os que o não fizeram! Desenvolvi sentimentos de cólera pelos obstrutores e auto convenci-me de que era ira divina. Julguei-me um deus, sem o ser ainda, e perdi a humildade... tudo sem me aperceber, num sonho louco, conturbado e agigantado.”
Muito do que eu conhecia da vida de Atlan começava a fazer sentido. Embora já o conhecesse há tantos anos, tinham decorrido, por vezes, longos períodos de tempo em que eu lhe perdia o contacto. Depois, quando me encontrava com ele, havia certas frases e acções que não compreendia muito bem. Agora, suspeitava que durante essas ausências, Atlan tivesse estado completamente absorvido nas suas “escaladas ontológicas”.
Peguei na folha seguinte e prossegui a leitura da sua carta:
“Possivelmente não voltarás a ver-me. Gostaria porém que tentasses reunir os meus escritos dispersos, muitos dos quais poderás encontrar em minha casa e, juntamente com tudo o que sabes das minhas vivências, procurasses reconstituir os passos mais significativos da minha vida.
Quando morre a esperança morre tudo. E eu estou a morrer.
Sinto necessidade de desaparecer.
Como achas que me sinto? Ainda há menos de um ano o meu corpo tinha cerca de vinte e três anos e agora aparenta ter perto de quarenta?!...
Estou em rápida deterioração. Todos os anos que travei estão a cair-me em cima vertiginosamente. E já não consigo, de novo, voltar a ser intemporal.
Desapareceram as minhas capacidades extrasensoriais.
O meu corpo definha dia para dia, enche-se de rugas, os cabelos caem, a pele enche-se de manchas vermelhas. Encarquilho-me. Não sei se para a semana terei oitenta anos...
Tudo se desmorona.
Todos os objectivos da minha vida se esboroam...
A carta terminava com um poema de Atlan que eu me recordava de o ouvir “cantar” baixinho:
Se a minha tristeza
pudesse voar
Inundaria todos os espaços
Tingiria de roxo todos os seres
Até o rouxinol
que se despenharia dos céus
e se dilaceraria
nos espinhos das rosas enganadoras.
O mundo seria por fora
aquilo que eu sou obrigado a ser por dentro.
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
Um quanto é o menor valor irredutível possível a que um parâmetro pode ser referido.
Este aspecto descontínuo da natureza é absolutamente insensível à escala da experiência quotidiana, o que fez crer, durante muitos séculos, que a matéria seria contínua.
Mas, quando a investigação desce aos componentes mais infinitesimais, em vez de se assistir a uma diminuição regular, observa-se a existência de discretos níveis de valores separados por saltos.
Se, após uma colisão, o átomo perde um dos seus electrões, transforma-se num ião cuja carga positiva é responsável pelas suas propriedades químicas mais relevantes.
Ao contrário do electrão, o fotão, electricamente neutro, não é afectado pelos campos eléctricos ou magnéticos. Mas nem por isso é menos capaz de provocar interacções electromagnéticas, pois é o veículo do campo eléctrico (denominado campo coulombiano), que rodeia todas as cargas. Assim, o fotão transporta, entre duas partículas electrizadas, à velocidade da luz, c, um quanto de campo electromagnético.
Em geral, as partículas apresentam inércia pois podem ser aceleradas e desaceleradas, de acordo com as leis da mecânica; portanto devem ter massa.
O que é revelado por uma nova experiência em 1965, em que neutrões lentos saídos de um reactor são deflectidos para baixo pela gravitação com o valor correcto de g, a aceleração da gravidade (9,8 m/s2).
Einstein postulou que massa e energia se equivalem através da sua equação E = m c2. Assim a energia E que pode ser libertada pela destruição de um corpo de massa m é igual ao produto dessa massa pelo quadrado da velocidade da luz c. Daqui resulta ser habitual exprimir massa e energia nas mesmas unidades.
Assim, a energia adquirida por um electrão ao ser acelerado por um campo eléctrico de 1 V é 1 eV (1 electrão Volt), ou 1,6 x 10-19 J.
São usados os múltiplos MeV - Mega eV (106 eV), GeV - Giga eV (109 eV), e TeV - Trilião eV.
A Aventura Quântica, 5
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
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Esta carta que Aleator mostrou a Íris fora escrita por Atlan ao fim de um longo período de depressão e sofrimento.
Por vezes, após anos de preparação e espera para conseguir entrar em fase de ascensão, Atlan sentia que alguns dos seus poderes ressurgiam. Mas quando isso sucedia ele sentia “elevar-se” vertiginosamente de um modo muito difícil de controlar. Tentava aguentar-se então o maior tempo possível nesse estado o que era semelhante a sentir-se em cima de um balão que, por se elevar demasiado velozmente para os céus, parece prestes a rebentar a todo o momento.
O seu poder interior aumentava mais e mais. Porém, sempre que se sentira já muito próximo de se transmutar num ser incorruptível e com poderes quase ilimitados, despenhara-se e estatelara-se, profundamente machucado e despido de poderes.
E as depressões que se seguiam eram suplícios de Tântalo, nuvens negras, imensidões de escuridão raramente entreabertas por um raio de luz ou um momento de paixão.
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
Desânimo
Ah, se ele pudesse libertar-se daquela depressão...
Libertar-se para sempre daquela dor que lhe tolhia os movimentos. Era uma avalanche que, de repente, derramava sobre si o total desinteresse. Já não acreditava em nada.
Pensou em pintar. Retraiu-se perante a ideia. Tinha medo de pintar. Já não vislumbrava em si qualquer talento... desacreditava-se.
Sentia falta Dela... mas não sabia como nem de quem!
Estava perdido, completamente perdido e só; abandonado e confuso nesse estranho universo do qual, no fundo, nada sabia.
O tempo passava e ele estava cada vez mais velho. A vida esvaía-se.. e ele não tinha controle sobre isso. Não tinha controle nem poder sobre nada. Não era nada.
“O que é que eu sou?”, interrogava-se Atlan. “Porque é que vivo e até quando vivo?... e depois?”
Não tinha dinheiro. Sentia-se cada vez mais paralisado. Porque tentava evitar gastar o pouco que tinha, permanecia só, em casa.
Pensou em mover iniciativas para ganhar dinheiro e acabar, pelo menos, com esse problema... mas para quê?... não era feliz. Nada lhe interessava. Nada tinha por que lutar.
Esperança? O que era a esperança? Afigurava-se-lhe descabido ter alguma esperança... sentia-se o próprio erro de tudo... uma fraude.
Sentia que era capaz de tudo, mas que em tudo talvez fosse uma fraude, um esboço. Talvez não tivesse realmente talento em nada. Sentia que se enganava a si próprio e aos outros.
Pintava, compunha musica, escrevia, fazia investigação científica, desenvolvia software, construía, projectava... e duvidava da qualidade de tudo o que fazia.
Não, mas havia algo de que não duvidava. Acreditava numa coisa entre tudo o que fizera na vida: um quadro que pintara. Considerava a “Divina” uma obra prima.
Quereria isso dizer que ele, Atlan, tinha valor?
Justificar-se-ia a sua existência com a criação de um quadro que via como sendo uma obra de arte?
“Não sei, não sei, não sei”, pensou.
Por vezes, quando não estava em depressão e começava a fazer algo, como por exemplo pintar um quadro, acreditava no que estava a fazer. Acreditava que algo de genial iria brotar dali.
Mas outras vezes, quando estava a chegar ao fim da sua obra, ao olhá-la, parecia-lhe ver a composição um pouco garatujada de um miúdo. Ou então via algo que era interessante, mas apenas isso, e nada tinha de genial. ...Era apenas uma tela suja com cores.
Agora não havia inspiração, não havia nada.
Eram dois universos estanques.
Passava parte do tempo num, parte do tempo noutro e o resto entre os dois.
Quando estava neste universo, em que agora se encontrava, só havia uma vontade: a morte, o choro, o desespero, a aniquilação. Porque não vislumbrava qualquer bom sentido para tudo isto. Para ele, para os outros, para o universo... para tudo.
Se ele descobrisse uma passagem deste para o outro universo (no qual ele acreditava na grandeza, na felicidade, no sentido!)... transportar-se-ia imediatamente para lá.
“Mas essa passagem, se existir, deve estar dentro da minha vontade”, pensou Atlan, “e a minha vontade não existe para nada que me possa fazer sair da inércia do universo onde estou. Tolhe-me. Faz-me encolher, ficar anichado num canto e não querer saber de nada. Isolar-me de tudo e todos. Dormir. Não existir.”
Deveria ele força-la? Acordar a sua vontade e forçar-se a passar para esse outro universo, onde ele acreditava possuir recursos inesgotáveis de talento, onde ele sentia que conseguiria encontrar-se e encontrar o seu génio?
Forçar a sua vontade a conduzi-lo para “onde” ele acreditava em que havia um significado grandioso para a Existência e que ele o conseguiria descobrir... força-la para “lá”, onde ele confiava que descobriria os segredos do mundo e viajaria entre as estrelas e seria um cidadão do universo, envolvido por ele com amor e transformado num ente com possiveis divinos. Num ente que poderia ser livre de fluir pelo espaço e pelo tempo.
Força-la para “onde” ele ainda conseguia ter uma ténue esperança de a encontrar, a Ela e ao amor total?
“Mas se eu me sinto tão perdido, sem alento, sem sequer saber bem o que quero e o que sou, onde estou, etc...”, reflectia Atlan com desespero.
“Meu Deus, eu queria perseguir a depressão e acabar definitivamente com ela, para sempre. Mesmo que isso significasse que eu vivesse na ilusão para esse sempre. Na ilusão de acreditar.”
“Mas pelo menos viveria.”
“E não sofreria esta dor que me paralisa os movimentos, a imaginação, a alma.”
Pensou em escrever tudo aquilo. Pelo menos serviria para que alguém pudesse compreender o que sentia e como era a sua doença, pois não conseguia explicar por palavras quando lhe perguntavam o que sentia.
Mas este simples pensamento causou em si um arrepio de desconforto e sentiu-se tolher no seu sofá para que dali não saísse nem escrevesse nada.
Para quê escrever. Para quê fazer qualquer coisa.
Era como se um mecanismo de preguiça lhe dissesse:
– Vais levantar-te, vais esforçar-te... para nada. Deixa-te ficar na distracção de um programa televisivo.
Todo o seu corpo e a sua vontade se uniam para que nada fizesse.
Observou-se ao espelho.
Os seu olhos estavam baços, o seu rosto descaído. Abatido por um desânimo e um desleixo desinteressado...
Vagueou pela casa. Comeu uma bolacha. Nem tinha apetite... nem tinha nada.
Comer para quê? Não lhe apetecia nada...
Recordou com sensações de desconforto e dor os escolhos da sua vida decorrida. As suas perdas. As várias vigarices de que tinha sido alvo. As suas loucuras. As coisas que estragou em períodos conturbados. Dinheiro que “queimara” e que agora lhe fazia falta para poder viver melhor. Alguma namorada que deixara e da qual agora sentia falta. Mas, mesmo nesse tempo, nenhuma delas fora suficiente para o curar dessa sua doença, desse seu estranho desespero...
Finalmente, a angústia foi grande e, movido por uma vaga esperança de se compreender a si próprio e de que escrever poderia contribuir para uma futura solução, levantou-se.
Encheu páginas de caracteres e continuou a sentir que não se expressara completamente; que não conseguira traduzir tudo o que sentia.
Por fim, abandonou a secretária e dirigiu-se para o seu quarto levando consigo um “talvez” em que pouco acreditava. Um “talvez que amanhã acordasse no outro universo em que acreditava no belo e no infinito”.
Mas não conseguia pensar “acredito que vou encontrá-la”... Já passara demasiado tempo, e o tempo aniquila as esperanças e el… ele já não sabia nada!...
...
Paixão
Atlan estava activo. Os seus pensamentos sucediam-se, rápidos:
“Penso em descobrir o sistema holista que permite o pensamento! Entrego-me ao estudo da neurologia, da psicologia, da física, da matemática, da inteligência artificial, da cibernética.”
“Anoto as minhas conclusões. Sinto estar a avançar. Acredito na possibilidade de o conseguir e na certeza do meu engrandecimento com esses conhecimentos.”
...
“(Estou cansado de escrever. Passa da meia noite Será que tem alguma utilidade, algum interesse, todo este trabalho e este tempo despendido a tentar exprimir o que sinto?)”
Levantou-se, vagueou pela casa pensando nisso, e decidiu escrever mais um pouco:
“Sinto que descubro que há, na Arte, algo por criar. O que está, no homem, para além do consciente. O que ultrapassa o real. E acredito-me criador dessa nova corrente artística.”
“Vislumbro um novo passo ontológico do Homem. A passagem a uma nova fase e a um novo grau de consciência. O desenvolvimento da metaconsciência.”
“E empenho-me em encontrar na Arte a expressão do enaltecer dessa metaconsciência, dessa meta-realidade”
“Do Surrealismo e da arte Abstracta como expressão da psicologia das profundezas e do inconsciente – a Psicanálise, lanço-me à procura do Metarrealismo como expressão da psicologia das alturas e do metaconsciente.”
As ideias tornavam-se cada vez mais nítidas na mente de Atlan.
“Uma realidade holista, a alma do real que ganha a sua existência através da soma sinérgica dos componentes desse real. Ultrapassando o real e criando, assim, uma forma existencial plena e bela.”
“Esta ideia encanta-me. Acredito que descobrirei a sua expressão plástica...”
...
Etc., etc.
...
Desânimo
“Agora parece-me que os meus quadros não revelam nada de profundamente inovador que traduza o meta-real e a metaconsciência.”
“Vejo-os apenas como esboços por onde passa uma ténue brisa do que quero e de como quero.”
“Mesmo a minha obra prima insurge-se-me bela mas impossível. Impossível porque a realidade me faz crer que não existe alguém assim, como represento no quadro.”
Levantou-se pensativo. Enquanto deambulava pela sala, Atlan imaginou como seria encontrar essa mulher-deusa que pintara, há dois anos atrás, numa noite febril.
“Já nem sei se conseguirei encontrá-la e, mesmo que a encontre, não sei se conseguirei substituir a minha solidão por ela. Esta solidão que me dói, também já me faz falta. Conseguiria viver com ela e possuir também a solidão quando dela necessito? A minha confusão é grande e sinto-me perdido...”
“Perdido num universo que, quando esta depressão me envolve, já não sei se é um universo nas mãos de Deus ou se é um universo à deriva, ao acaso.”
“Um universo ao acaso em que depois da morte nada resta, em que a existência individual não tem sentido.”
Aquela hipótese de um cosmos não inteligente, destituído de qualquer consciência perturbava-o. “E, no entanto, era uma possibilidade. E perante essa possibilidade só restaria uma salvação”, pensava Atlan, “transmutar-me! Seria a única forma de me preservar.”
“Vejo milhões de seres humanos como grupos de moléculas que se agregam e desagregam. Um universo como um brinquedo louco, sem inteligência nem consciência. Um mecanismo que bate as horas por acaso. Sem alma, vazio, caótico.”
“Um brinquedo nas mãos de uma criança acéfala que solta um riso louco. Uma criança que também não é, ela própria, mais do que outro brinquedo num turbilhão de existência.”
“Sinto-me impotente, incapaz de fazer a minha própria vida. Incapaz de encontrar a minha companheira, incapaz de parar a minha descida para a decadência, incapaz de viajar pelas estrelas, incapaz de ser o que a minha vontade clama, incapaz de ir até onde a minha vista alcança, incapaz de fluir livre pelo universo, incapaz de saber onde estou e o que sou, incapaz de parar a morte.”
“E até incapaz de ser feliz... talvez por ser incapaz de tudo o resto.”
...
“Agora, na depressão, olho para os meus progressos na investigação do mecanismo do pensamento através da Inteligência Artificial e parecem-me rabiscos de criança. E parece-me tola a minha ilusão de que poderia vir a descobri-lo.”
...
Atlan lembrou-se de Sofia, que nunca compreendera muito bem o que ele sentia, e escreveu:
“Compreendes agora o que quero dizer com a minha depressão?”
...
“...E esta sensação de perda. Sentir sempre o tempo a esvair-se, como a minha vida a escoar-se, na areia de um ampulheta...”
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
Da equação E=mc2 conclui-se que a massa equivalente à energia de 1 MeV é dada por 1 MeV / c2 = 1,78 x 10-27 g .
Neste sistema , a massa de um electrão será me = 0,5 MeV /c2.
Seriam necessários 100.000.000.000.000.000.000.000 electrões para perfazer um grama! (1024 electrões)
O protão é duas mil vezes mais pesado (938,1 MeV/c2).
Como o número de partículas diferentes é limitado, temos de dar como provado que a massa deve ser considerada um número quântico e, portanto, só pode assumir a série discreta de valores encontrados na natureza.
Mas porquê estes valores e não outros?
Qual é a lei universal que regula esta escala de massas?
Estas são as principais questões a que os cientistas, desde a descoberta da descontinuidade, procuram responder...
O fotão é o primeiro exemplo de uma partícula sem massa. Isto porque se desloca à velocidade da luz, limite absoluto da teoria da relatividade.
Como a massa de um corpo aumenta com a sua velocidade, e o seu volume se contrai, se acelerássemos um corpo até à velocidade da luz, a sua massa tornar-se-ia infinita e o seu volume igual a zero. O que é que isto significaria? Que esse corpo se transformaria em energia?... assim como a luz é energia?
Digamos que, se a massa do fotão não for exactamente nula, ela será insignificante, sendo inferior a 10-44 grama!
Como o fotão é destituído de massa, a sua energia está concentrada em uma vibração e pode assumir uma série contínua de valores. Assim, o fotão não é quantificado em si próprio, como a carga eléctrica, mas é quantificada a sua emissão por átomos. Isto é, a energia dos fotões saídos do emissor só pode tomar uma série descontínua de valores.
É indispensável distinguir entre números quânticos que sejam parâmetros existentes apenas em formas inteiras e indivisíveis e o quanto de campo ou de energia, susceptível de tomar qualquer valor, mas que é quântico por força da sua natureza corpuscular e pelo carácter quântico da sua emissão.
A Aventura Quântica, 6
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
Os Negros Anos Luz
Outrora tudo correra bem para Atlan.
Depois, subitamente, tudo mudou.
A sua confiança foi abatida por sucessivas vagas de insucessos.
A sua forma de pensar: lógica, clara e probabilística foi ainda mais vulnerável do que se possuísse uma mente simples e desordenada.
Acreditara sempre que as ocorrências aleatórias, casuais, seguiam a lei das probabilidades.
Aí estava a sua vulnerabilidade mental.
Sempre pensara que, ao atirar uma moeda cem vezes ao ar, ela cairia aproximadamente cinquenta vezes para cada face.
Assim, quando caiu cem vezes “cara”, sentiu-se perdido.
claro que isto não se passou com uma moeda.
Passou-se com a sua vida!
Recapitulando: a sua confiança anterior funcionara assim:
em cada acção que realizava, havia uma percentagem de sucesso seguramente maior do que os cinquenta por cento de falha/sucesso. Atribuía essa vantagem às suas capacidades e qualidades e a uma certa sorte.
E assim tinha vivido toda a sua vida.
E mais, quando se tratava de algo muito importante, e se empenhava a fundo, geralmente conseguia-o. Mesmo que fosse alguma coisa muito difícil de atingir.
Isto fortalecia a sua confiança na sua capacidade de realização.
E era normal. Tudo era ainda perfeitamente normal e dentro de um universo probabilístico.
Os acontecimentos apenas dependiam das circunstâncias, mais ou menos casuais, do universo onde decorria o acontecimento, e dele próprio.
Não havia grandes mistérios.
Nada contrariava o seu espírito científico.
A sua confiança evoluía num universo casual e probabilístico onde o sucesso das suas acções era determinado pelo seu empenho e capacidade face ao equilíbrio de acontecimentos favoráveis e desfavoráveis.
Enfim, tudo era compreensível e aceitável.
Assim, ele conseguia viver.
O pior foi quando a “moeda” lhe caiu cem vezes “cara”.
Ainda por cima, “cara” significava “desfavorável” para ele.
Assim começou.
E a sua confiança foi derrubada por cem vagas de luz negra.
Primeiro começou com o seu trabalho.
Não conseguia obter estabilidade económica.
Tinha tantas ideias, tantos negócios, mas nenhum deles frutificava como devia.
Pela primeira vez encontrara algo que não conseguia vencer.
Mas enfim, como no resto da sua vida, a percentagem de sucesso era ainda elevada, continuou...
Porém, quando o insucesso atingiu a parte amorosa tudo escureceu.
Foram os negros anos luz.
Antes, nunca tinha tido dificuldade em encontrar companheira.
Claro que nunca encontrara “a ideal”, mas tinha tido ligações bastante satisfatórias.
Agora não tinha nada.
Vagueava num deserto.
Um deserto de emoções, de sensações, de ausência de coisas partilhadas e queridas.
O “ostracismo” era uma palavra omnipresente nos seus pensamentos.
Chegou até esse deserto flutuando de relação menos, e cada vez menos, satisfatória.
Antes tudo tinha sido diferente.
Quantas vezes as paixões vieram ter consigo. Um olhar, um sorriso, um convite. A maior parte das vezes, ele não precisara de tomar qualquer iniciativa. As oportunidades vinham ter consigo. E ele escolhia, dentre elas, a que mais gostava. Sempre tinha vivido rodeado por pessoas que facilmente gostavam dele e se apaixonavam.
Nunca pensou que à “batalha económica” se seguiria a “batalha do amor”.
Agora, sem amor, as vagas dos negros anos luz cada vez mais o sepultavam no limbo da indiferença e da tristeza omnipresente.
Ainda atirou muitas vezes a “moeda” ao ar, mas as frustrações sucediam-se.
Agora, já ninguém olhava para ele.
Ou, pelo menos, era o que ele sentia, pois a sua confiança transformara-se em anti-confiança e a sua fé em fé no insucesso.
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
A energia de uma partícula provém, por um lado, da sua energia cinética, expressa pela equação ½ mv2 da mecânica clássica e, por outro, da energia equivalente à sua massa em repouso, E=mc2.
Para uma partícula muito rápida, torna-se necessário efectuar as correcções relativísticas para o aumento de massa e, portanto, distinguir entre massa em repouso, m0, e massa aparente em movimento, m.
Assim, por vezes é preferível recorrer a uma outra variável, a quantidade de movimento p, que é o produto da massa pela velocidade, p = m v.
Quando em movimento lento, a energia total de um corpo vem dada por ½ mv2 + m0 c2 e a de um conjunto de partículas será o somatório (S) das energias totais de cada uma.
O princípio fundamental da conservação da energia domina toda a mecânica quântica: “a energia total de um sistema que sofre uma reacção distribui-se integralmente pelos produtos finais dessa reacção”. Isto é, aparentemente, a energia não pode ser criada.
Daqui se deduz o princípio da perda de massa da física nuclear: a massa de um núcleo formado por n nucleões (protões e neutrões) não é n vezes maior que a massa do nucleão, mas sim algo menor; tal perda de massa representa a enorme energia necessária para manter a coesão dos nucleões no núcleo, parte da qual é libertada durante a fissão.
A quantidade de movimento p (= m v) ou ‘momento’, é também conservada durante uma reacção:
Em
To, antes do choque da esfera
A
de massa
m
e velocidade v,
com a esfera
B
imóvel, a energia total de
A
é
E=1/2 mv2,
e a quantidade de movimento é
Pa.
Após a colisão, em T1, verifica-se que Pa+Pb(depois)=Pa(antes) e que Ea+Eb(depois)=Ea(antes).
As energias são expressas em eV ou MeV, e os momentos em eV/c ou MeV/c.
A Aventura Quântica, 7
Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
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À medida que Íris ia tomando conhecimento dessas suas fases de “baixa energia”, ou de desalento, admirava-se, ao mesmo tempo, com a persistência de Atlan em não desistir de concretizar o seu grande sonho.
Por vezes, após dois ou mais anos de profundo desespero, ele conseguia reiniciar uma nova “escalada” ou “abordagem” à transmutação e em cada uma delas parecia ascender a um ponto ainda mais alto do que os anteriores.
Hoje mostrar-lhe-ia mais algumas páginas do seu “diário” correspondentes ao registo da sua terceira abordagem à transmutação.
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Emmanuel de Cériz, "IGNIUS - O Mistério da Transmutação" (2)
O Diário de Atlan – 4
A 3ª Abordagem: (1 ano e meio depois)
de Dezembro a Março: duração: 3 - 4 meses
Após ter estado mergulhado numa apatia depressiva, criei um novo negócio na área informática que começou a correr bem. Isto melhorou o meu estado de ânimo e comecei a libertar-me da depressão.
Contratei uma colaboradora para me auxiliar no meu trabalho. Tornou-se uma agradável companhia diária e eu comecei a sentir-me de novo num estado de elevada energia que canalizei para tentar entrar, novamente, em processo de transmutação.
Não vou referir todos os fenómenos paranormais, pois muitos deles são comuns às abordagens anteriores. Um dos primeiros foi o do sol. Mais uma vez, o sol parecia brilhar, sempre que a minha disposição o solicitava – com uma facilidade surpreendente.
As alterações atmosféricas sempre tinham estado relacionadas com o sol, apenas.
Um fim de tarde, eu e Lisa, a minha colaboradora, estávamos na costa a olhar para o mar. O céu estava limpo, sem nuvens. Por qualquer motivo, talvez como experiência, eu desejei que surgissem relâmpagos. Comentei com ela o meu desejo. Continuamos a olhar para o mar. Subitamente, junto à linha do horizonte, começamos a ver os primeiros relâmpagos. Em pouco tempo tinham surgido nuvens escuras vindas do horizonte e que, rapidamente se alastravam por todo o céu. Pouco depois, as trovoadas eram já muito fortes. Ficamos os dois um pouco assustados e resolvemos entrar no carro. Ao atravessarmos a cidade começou a chover fortemente. Eu tinha um cliente para visitar em Felgueiras, a cerca de 60Km da cidade do Porto e, para me afastar da cidade e do temporal que aparentemente causara, resolvemos dirigir-nos para lá de imediato.
Nessa noite dormi, pelo menos seis ou sete horas, o que já não fazia há algum tempo. Acordei sentindo-me cheio de energia. Dirigi-me à janela; lá fora continuava a chover. Desejei que fizesse sol, muito sol. Fiquei em frente à janela aberta fazendo aquilo que, parecia ser uma respiração em uníssono com o céu, como se estivesse a puxar o sol e a soprar para longe as nuvens escuras. Só ao fim de quinze minutos os raios de sol começaram a irromper timidamente por entre as nuvens. Continuei e, ao fim de meia hora, o céu estava limpo, azul, sem nuvens, e o sol brilhava intensamente.
Devo referir que, nestas fases, por vezes, o meu estado de espírito era muito susceptível. Quando contrariado por algo que considerava absurdo, enfurecia-me facilmente. Após uma desavença com algumas pessoas, fiquei indignado e desejei que trovejasse, que