Some Photos about the Author

          WillKohm Wund         

TRANSMUTALISM

Hit Counter      English version 

  Emmanüel de Cériz     

.NEWS! Novidades!

Leia Gratuitamente os Livros:

"IGNIUS - O Mistério da Transmutação""O Transmutalismo""O Livro de Meta-H"

Ancestralidade

Familias ReaisHKH KrohnPrinz Wund Cériz and VirkantzÿaGenealogia

 

O que é o TRANSMUTALISMO?

Fundamentos para uma Nova Matemática    O Cálculo Transmutacional:Uma Nova Abordagem Matemática

 

E-Mail: EmmanuelCeriz@gmail.com

FORUM / Comentários

 

Friends of HKH:

"O Transmutalismo"

A metamorfose dos deuses - Totalmente Rebeldes - Um grito de Liberdade

 

 Kohm

 

   Preâmbulo

 

I parte

 -          A Saga de Eoalkper Eoasell (síntese do percurso)

-          Génese e Investigação

-          Definições

-         Experiências Pessoais

- 1ª Abordagem

- 1ª Transformação Física

- 2ª Abordagem

- O livro de MetaH

- 3ª Abordagem

- 2ª Transformação Física

            - 4ª Abordagem

            - 3ª Transformação Física

-     Análise das Experiências Pessoais

-          Símbolos (e Mitos) do Transmutalismo

 

II PARTE

 -          Influências da Física Quântica

-          Hipóteses Matemáticas (e axiomas)

-         Transmutação: Hipóteses e Teorias

 

III PARTE

 -          Análise Histórica / Porquê o encobrimento

-          Repercussões no Indivíduo e na Sociedade

-          Para a criação de uma nova Corrente Artística – o Transmutalismo

-          Impacto na Arte, Música, Literatura, Filosofia, Religião e Ciência

-          Uma nova atitude Existencial e Ontológica para o Homem?

-          Um saco cheio de prendas

-          Totalmente Rebeldes – Um grito de liberdade

-         Bibliografia

 

 

 

 

preâmbulo

 

     

A Teoria Quântica vem demonstrando que as partículas subatómicas

não são grãos  de matéria isolados mas padrões de probabilidade,

interconexões num tecido cósmico indivisível que inclui o observador humano

e a sua consciência.

A Teoria da Relatividade veio ajudar a compreender a vida deste tecido

cósmico, ao revelar o seu carácter intrinsecamente dinâmico. A imagem

do universo como uma máquina foi superado por uma perspectiva de um

todo dinâmico e indivisível, cujas partes estão essencialmente interligadas e que

só podem ser compreendidas como padrões de um processo cósmico.

                                                                                                              Capra, 1982

               

 

Criei a palavra transmutalismo a partir de transmutação.

Transmutação significa um tipo de alteração mais profundo do que a simples transformação.

 É uma mutação intrínseca, absoluta.

 

A transmutação pode aplicar-se a tudo.

Aquela que mais abordo aqui é a transmutação do ser.

É a auto transmutação ontológica – do ser num outro tipo de ser... radicalmente diferente!

 

Radicalmente diferente porque é um tipo de ser desprovido de limites e características rígidas.

 

A transformação absoluta: de uma coisa em algo essencialmente diferente ou do indivíduo no tipo de ser que mais deseja e que mais está de acordo com a sua natureza trans-temporal.  O regresso do ser à sua essência.

 

Para mim, o Transmutalismo representa o trabalho de toda uma vida. De investigação e desenvolvimento de uma ideia que nasceu comigo. Nas áreas do transformismo, do paranormal e da arte.

 

O transmutalismo é, também, a corrente de pensamento que está subjacente a todo o meu trabalho no domínio das artes plásticas.  Todavia, penso que o seu objecto ultrapassa esta área e se projecta numa nova atitude do ser perante si próprio e a existência.

 

Essa nova atitude é o transmutalismo.

 

 

O transmutalismo esboça-se como corrente artística e de pensamento. Poder-se-á estender à música, literatura, filosofia, ciência, religião, parapsicologia, ... , ...

 

...mas corre-se o risco de transformar o mundo!

 

 

parte  I

 

 


 

A saga de eoalkper eoasell

(síntese simbólica do percurso)

 

 

            Há muitos milhares de anos, existia uma pequena nação de guerreiros, onde vivia uma criança, com sete anos de idade, chamada Eoalkper Eoasell.

           

Eoasell era uma criança em tudo semelhante às outras mas, tinha a estranha sensação de que, aquilo que era, não correspondia ao seu verdadeiro ser. Sentia que este seu corpo era muito frágil e limitado; como que o estranhava. Porém, perguntava-se:

            “Como posso estranhá-lo se nunca tive outro?”

           

Por vezes, tinha realmente a sensação de que já tinha tido uma natureza diferente, poderosa e ilimitada e, que agora, estava aprisionado neste corpo onde aprisionadas estavam também as suas capacidades.

            Não, esta não poderia ser a sua verdadeira natureza: nas suas brincadeiras, a sua força interior, fazia-o saltar de altos muros, mas ao aterrar, rachava a cabeça e magoava-se. Apesar disso, persistia, sentia que não poderia ser assim, ele não era assim, não poderia ser assim frágil.  Ao brincar de guerreiro, atirava-se sozinho contra muitos adversários. As outras crianças envolviam-no como formigas e acabavam por fazê-lo tombar. No interior de Eoasell pulsava um outro tipo de ser — um ser indomável e ilimitado. Um ser que se entristecia por não poder cruzar os céus como um cometa e mergulhar no fogo do sol, atravessando-o de um lado ao outro e ficando ao rubro, mas mantendo-se indestrutível, imparável, pleno de liberdade total.  Deveria ser capaz de derrubar muros, de remover rochedos, de parar a chuva e, sempre que se ferisse, o seu corpo deveria regenerar-se de imediato. Eram estas as estranhas sensações do pequeno Eoalkper Eoasell.

 

Quando fez quinze anos, passou casualmente em casa de Elinoa, uma velha sábia.  Encontrou-a reunida com outras anciãs. Soube que algumas eram de terras distantes, do outro lado da costa.  Como estavam na estação fria, sentavam-se em volta do fogo que crepitava e contavam lendas e histórias de um passado longínquo e nebuloso. Uma dessas lendas causou um impacto e um sentimento de familiaridade inesperados em Eoasell. Quem a contava chamava-se Amaroa:

 

“Há muito tempo atrás, existia um deus chamado Manu. A sua aparência física era semelhante à de um humano. Diz-se até que foi criada por ele a nossa  espécie.

“A dada altura, não se sabe bem porquê, Manu decidiu deixar de ser um deus para se tornar humano. Talvez porque se sentia só e queria ser um entre muitos seus iguais, ou porque queria fazer evoluir os seres humanos a algo semelhante a si próprio, ou porque se queria transcender... ninguém sabe ao certo.

“Manu fragmentou-se então em muitas partes e misturou –se com as almas dos embriões humanos. Ao dividir-se em várias partes perdeu a consciência de si próprio e entrou no oblívio, no esquecimento de si mesmo. Porém, em algumas crianças, sobraram memórias vagas da natureza passada de Manu.

“Foi o que ocorreu com um menino chamado Eus. Desde muito cedo começou a sentir uma estranha nostalgia. Era como se estivesse habituado a outro tipo de existência, mais livre, com menos impossíveis.  Sentia-se também pouco integrado na sua espécie. As outras crianças não partilhavam da sua sensibilidade e do seu gosto por desvendar os mistérios do universo. Divertiam-se a fazer mal aos animais e faziam chacota do seu interesse por aprender as ciências do mundo. Mentiam e, por vezes, roubavam-lhe coisas. Eus não compreendia a maldade que encontrava nos seus semelhantes, sobretudo nos  adultos que cometiam actos ainda mais cruéis e brutais. Não se sentia fazendo parte da mesma espécie nem se sentia em casa. Por isso sonhava em encontrar o caminho para “casa” e conviver com os da sua “própria espécie”.

“Um dia teve um sonho muito estranho. Sonhou que estava suspenso a alguns metros do solo sobre umas colinas verdes onde passava um ribeiro. Irradiava energia e tudo à sua volta, as árvores, o céu e a água pareciam ondular e vibrar de acordo consigo numa coreografia viva e plena de amor. Toda a natureza em seu redor comportava-se como uma extensão de si próprio. Depois, subitamente, o seu corpo transformou-se numa bola de fogo que ascendeu ao céu e explodiu em inúmeras centelhas de luz. As centelhas voaram e, como que por instinto, cada uma delas encontrou um feto humano com o qual se fundiu. Aqui, Eus acordou.

“Depois desse dia, a natureza de Manu começou a despertar em Eus que, como que por instinto, seguia o caminho para alcançar a liberdade dessa existência sonhada.

“Após ter vivido ainda muitos anos alcançou-a mesmo e tornou-se um ser sem limitações como Manu, mas conservou também todas as boas qualidades da humanidade.

“Assim termina a lenda de Eus” – concluiu Amaroa.

 

Uma lágrima correu pela face de Eoasell. Era a primeira vez que ouvia algo de comum com o que sempre sentira  no seu interior. Pensou que talvez algo de idêntico com a lenda que escutara tivesse ocorrido com ele. Isso explicaria a sensação que sempre tivera de não pertencer verdadeiramente ali e de já ter sido um ser muito diferente.

Quer fosse assim ou não, Eoasell começou a pensar que deveria ser possível transformar-se num ser ilimitado. “Mas como?” – interrogava-se.

A sua busca não foi fácil. Frequentou todos os arquivos e leu todos os escritos que pôde, mas não havia quase nada que o pudesse ajudar a descobrir como conseguir transformar a sua natureza em algo ilimitado. Era algo estranho e ignorado.

Prosseguiu no entanto com a sua aprendizagem sobre o que se conhecia do ser humano e das leis da natureza. Havia vestígios de ciências antigas, de um tempo em que houvera na Terra um conhecimento mais avançado e parcialmente perdido. Depois da sua deambulação por vários lugares do seu mundo e da meditação daquilo que se conhecia da história da humanidade, só lhe restava deixar-se guiar pelo seu instinto e pela sua intuição. Começou então a fazer experiências consigo próprio. Aprendera uma coisa com um velho místico que conhecera numa ilha distante e que lhe trazia uma espécie de conhecimento silencioso. O velho dizia que era uma forma de beber directamente da fonte do conhecimento universal. Era uma espécie de meditação em que se mergulhava por breves instantes num estado sem pensamentos. Durante esse tempo a consciência habitual anulava-se e ficava apenas um outro tipo de consciência, uma consciência impessoal. O velho Quatl chamava-lhe  atingir o estado zero, tornar-se no nada.

“Ser o nada e conseguir doseá-lo, manejá-lo, nisso consiste o grande segredo da existência” — dizia.

Porém, para o próprio Quatl, isso era uma verdade intuitiva e nem ele compreendia todo o seu alcance.

“É muito difícil atingir o nada” — prosseguia o velho --”e mais difícil ainda conseguir sê-lo e manejar esse estado, entre o nada e o ser.”

 

Um dia, Eoasell teve um grave acidente. Caiu por um precipício e pelos seus ferimentos perdeu quase metade do seu sangue. As dores eram lancinantes e sentiu que estava a morrer. Então, subitamente, mergulhou numa espécie de sonho, mas sem as características habituais de um sonho; possuía todas as qualidades e nitidez de uma experiência real: encontrava-se à entrada de um estranho edifício que reconheceu ser uma biblioteca, não tendo no entanto visto nunca uma igual. Também o tempo e o lugar lhe eram estranhos. Apesar disso entrou e sentiu-se fortemente atraído por um dos volumes daquilo que lhe disseram ser um livro, um conjunto de folhas envolto por uma capa dura. Abriu-o, aparentemente ao acaso e, sem saber como, compreendia perfeitamente a língua em que estava escrito. Mas o mais surpreendente é que estava lá tudo, com uma clareza e uma simplicidade impressionantes. Todos os segredos que procurara desvendar todos esses anos: os segredos acerca do  controlo total sobre o corpo e a alma e sobre a expansão da consciência.

Os princípios eram tão claros que resolveu experimentar de imediato. A primeira sensação que teve foi a de sentir o seu corpo flutuar até se encontrar próximo do tecto da sala. Nessa fase sentia que metade do seu eu estava no seu corpo e metade espalhada no ambiente à sua volta. Expandiu mais a sua consciência, a sua presença, e percepcionou uma parte do mundo em que estava inserido. Viu centenas de pessoas, de casas, de paisagens...

Expandiu-se ainda mais e viu uma multidão de imagens, de rostos, de acontecimentos. Teve a sensação de que era toda a Terra.

O movimento de expansão continuou e as sensações tornaram-se mais difíceis de definir porque eram visões caleidoscópicas, muitas imagens de muitos mundos, de muitas realidades. A sua consciência estava espalhada por toda a existência.

Entretanto, o movimento prosseguia. O seu ser deixava-se ir, atraído cada vez mais para o todo, para o infinito... até que as formas já não eram distinguíveis. A sua percepção de conjunto assemelhava-se a um oceano de energia com um formato semelhante a uma galáxia de uma luz suave e de cor clara, na qual estava a essência de todas as coisas. Havia apenas um som que era a fusão de todos os sons e se assemelhava ao rumor longínquo de um oceano, porém constante, infinito e incessante. Havia apenas um sentimento, agradável, de paz, de totalidade, de suave plenitude. Mas o que mais caracterizava este sentimento era a ausência de ego e de eu, uma sensação impessoal de pertencer à consciência universal (seria Deus?). Havia apenas uma cor, apenas um som, apenas um sentimento.

Eoasell sentia-se como que uma gota de água a começar a mergulhar e a dissolver-se nesse oceano existencial. Sentia que era um indivíduo com a sua pequena consciência prestes a perder a sua individualidade para passar a fazer parte dessa consciência gigantesca e impessoal. Era como se estivesse próximo de deixar de ser. A existência absoluta afigurava-se-lhe semelhante à não existência. Ao mesmo tempo, aquele estádio, parecia ser o patamar máximo que qualquer ser poderia atingir: a eternidade, a paz absoluta. A imutabilidade resultante da soma de todas as mudanças.

Sentiu que estava a ir longe de mais e que, se avançasse apenas mais um pouco, o processo seria irreversível e jamais poderia recuar.

Tudo isto foram as suas impressões e reflexões realizadas numa fracção de segundo, nessa fase intermédia em que a sua mente principiava a deixar de pensar e começava a diluir-se na essência da totalidade,. Mas foi o bastante: produziu-se imediatamente um movimento súbito de recuo, como um elástico. Sentiu-se atravessar rapidamente em sentido inverso os estados anteriores que o conduziam à sua individualidade e abriu os olhos num sobressalto: não estava na biblioteca. Encontrava-se deitado no seu quarto e ao seu lado, olhando para si, estava Quatl, boquiaberto.

“Onde estava o livro?” – foi o primeiro pensamento de Eoasell. Procurou desesperadamente lembrar-se do que lera. Por um momento tivera na mão todos os segredos da existência e agora não se lembrava de quase nada. Apenas recordava uma frase síntese, algo como “o que é preciso é ser o nada e manter o nada”... uma frase semelhante à que lhe dissera o velho.

“O que aconteceu?”- perguntou Quatl –“Pensei que tinhas morrido. Já faz algum tempo que o teu corpo tem estado completamente inerte, como morto.”

Eoasell contou-lhe a sua experiência e o velho disse-lhe que possivelmente estivera muito próximo da morte física e que, se não tivesse recuado, o seu corpo não teria regressado à vida. Disse-lhe também que, provavelmente, acabara de desperdiçar uma das raras oportunidades que o ser humano tem de voltar a fundir-se com a Unidade e atingir assim a paz obtida pela libertação do ego e do sofrimento da consciência individual. Provavelmente, a possibilidade que lhe restava agora seria a de efectuar uma longa caminhada até ao dia em que, eventualmente, pudesse atingir um estado de pureza tal que o seu ego se desvanecesse e ele conseguisse, enfim, descansar na plenitude da inexistência dessa existência absoluta que ele havia percepcionado como um mar de energia.

Depois dessa experiência, tentou em vão recordar-se do que lera nesse estranho livro. De qualquer forma, sentia-se diferente, como se os seus horizontes interiores tivessem alargado e o alcance da sua mente se tivesse expandido.

 

A sua mente era agora mais rápida. A partir daí, lançou-se progressivamente numa exploração vertiginosa do alcance do seu próprio pensamento. Pôs tudo em causa, dissecou todas as ideias, pensou os seus próprios pensamentos. Reflectiu sobre a origem do mundo e do universo, sobre Deus e o objectivo da existência e descobriu que, ao ultrapassar os limites do pensamento, penetrara nas raias da loucura. Verificou que para atingir determinadas acepções tinha de pôr de lado a lógica e o senso comum e, quando as características do pensamento se diluíam e todo o raciocínio se tornava difuso, era preciso, mesmo assim, continuar, nem que fosse às cegas até encontrar, de novo, a luz.

Esse foi o início daquilo a que chamaria mais tarde “a  batalha da loucura” --  o atravessar do túnel do pensamento até sair, finalmente, pelo buraco oposto.

Era como atravessar um longo campo de areias movediças. Parar a meio seria afundar-se, seria enlouquecer. Era necessário avançar, avançar sempre. Os extremos tocam-se e a luz deveria voltar a surgir e com ela o alcance do seu objectivo: a amplificação da consciência.

Eoasell não sabia que essa seria uma batalha que, ainda que entrecruzada com muitas outras, se estenderia por cerca de vinte anos...

 

A sua busca, todavia, continuou. Em breve realizou a primeira experiência consigo próprio, em que procurou transcender os limites do seu ser. Baseou-se numa ideia que vinha desenvolvendo há algum tempo atrás, fruto da sua pesquisa e reflexões. Pressentia em todos os seres uma mesma natureza intrínseca, uma força, uma energia ilimitada. O que cristalizava os seres humanos em formas limitadas e enfezadas era uma espécie de fuligem que encobria essa energia luminosa que agora apenas ardia no âmago dos seres, reduzida à dimensão de uma centelha. Essa fuligem era constituída por todas as dúvidas e temores que castravam o infinito em cada um de nós. Todas as nossas crenças nas impossibilidades disto e daquilo aprisionam-nos em gaiolas existenciais. Assim também todos os nossos condicionalismos: só estaríamos libertos e limpos quando ultrapassássemos os limites impostos pela nossa espécie, pelo nosso sexo, pela nossa idade, pela nossa nacionalidade, pela nossa educação...

 


 

Génese e Investigação

 

            Apesar de ter sido uma criança de constituição normal, as primeiras memórias que recordo da minha infância estão relacionadas com a  estranheza que senti perante as limitações e a fragilidade do meu corpo e também com a incapacidade do meu ser em vergar um pouco as leis da natureza à minha volta para melhor executar os meus actos. Estranhava também a regeneração limitada e lenta dos ferimentos, não conseguir moldar a forma do meu corpo ou assumir outras formas e a impossibilidade de me transportar, rapidamente, a lugares que via, distantes.

 

Talvez que o impulso que deu origem às primeiras ideias de transmutação esteja na base de um desejo de “restauração” pessoal com essas qualidades, cuja ausência estranhava tanto. De algum modo sentia que o natural seria tê-las e anormal não as ter. A origem dessa sensação parecia, por lógica,  ser baseada na “memória” vaga mas persistente de algum tipo de experiência ou status anterior. “Se essa era a minha verdadeira natureza, então deveria ser possível recuperá-la”.

 

Assim, a ideia, ainda vaga e pouco definida, de que o ser humano teria a possibilidade de transmutar-se num outro tipo de ser, com um controle sobre si próprio e sobre o meio envolvente quase ilimitado, conferindo-lhe incorruptibilidade e capacidade de regeneração total face a quaisquer danos ou destruição do seu ser, surgiu também muito cedo, ainda na minha infância, e não posso precisar exactamente quando, pois também é uma das primeiras impressões de que me recordo.

 

            Não sabia como fazê-lo e se seria realmente possível realizar tal transformação. Mas, como a necessidade de me sentir bem era grande, quase imediatamente, procurei obter dados que me permitissem consegui-lo. Como ainda não sabia ler, ao meu alcance estavam apenas as observações e reflexões sobre o que se passava à minha volta. Também fazia perguntas mas, a maioria, eram mal compreendidas e eu próprio não sabia muito bem sobre o que perguntar.

 

            Depois que aprendi a ler, comecei a pesquisar tudo o que pude nos mais diversos campos do conhecimento humano. A Física (sobretudo a Teoria Quântica), a Matemática, a Bioquímica, a Biologia, a Neurologia, a Psicologia, a Ciência Cognitiva, a Inteligência Artificial, a Ciência dos Computadores, a Electrónica e, por outro lado, a Mitologia, a História, a Linguística, a Filosofia, a Parapsicologia, a Ficção Científica, as Religiões e o Esoterismo foram os meus alvos preferenciais.

 

            Entre milhares de livros que li, há alguns que não posso deixar de salientar pelo fascínio que me suscitaram:

 

 “A guerra dos deuses”,   A.E. Van Vogt

 “Supercérebro”,                » »    »      »

 

“Curso adiantado de filosofia iogue”,  Iogue Ramacháraca

 

As obras de Carlos Castaneda

 

“Ilusões”,                             Richard Bach

“Fernão Capelo Gaivota”,       »         »

 

“Serafita”,   Honoré de Balzac

 

“Um estranho numa terra estranha”,   Robert A. Heinlein

 

“Teoria da evolução estratificada do cérebro humano”,   R. Balbi

 

 

 

Definições

 

 

Nada neste mundo é tão poderoso   como uma ideia cuja oportunidade chegou.

           Vítor Hugo

 

 

O que é o Transmutalismo?

 

            O Transmutalismo é, essencialmente, uma Atitude Ontológica. Uma postura diferente face à existência e ao nosso próprio ser.

           

As atitudes mais comuns face à existência resultam na aceitação do ser (do que se é) e numa redução a esse mesmo ser: redução às suas características, limites, forma e possibilidades.

           

Esta atitude comum consiste em viver sendo, apenas, o tipo de ser que se é, até ao fim. Nunca este é colocado em causa.  A nossa consciência aceita o tipo de ser com que nasce, aceitando as suas possibilidades mas também os seus limites.  Vive nessas condições até se extinguir a vida, nunca se questionando se poderia transmutar o seu ser num outro, cujas características poderiam ser, até, tão diferentes  como as de uma nova espécie.

           

Para além de se limitar às características do seu tipo de ser, faz também parte da atitude ontológica comum, aceitar a sua decadência e o seu fim, com a morte.

            Encontramos aqui três sub-atitudes principais:

1.      Aceitação e redução ao que se é apenas.

2.      Aceitação da decadência do ser.

3.      Aceitação da morte como fim inevitável.

Subjacente às três grandes sub-atitudes, está uma atitude global – a da Sujeição, da Submissão.

Submissão aos mecanismos da vida e da existência.

 

O Homem é, assim, um ser sujeito aos elementos. Um ser completamente dominado e submisso ao espaço-tempo e à sua própria natureza.

A consciência humana é passiva – percepciona e reflecte sobre o meio mas, não o domina.  Não age directamente sobre o meio envolvente e actua , apenas em pequena parte, sobre o seu próprio ser.

Cada ser possui um determinado nível de energia, transaccionando energia dentro de determinada escala.  A consciência submete-se , assim, aos limites pré-concebidos  de cada espécie de ser.

 

Poderíamos pensar que a sujeição não é total porque, afinal, o tipo de ser que o homem é, não voa e, no entanto, construiu máquinas que o transportam voando.  Porém, o homem não expandiu o seu próprio ser para que voasse; a submissão à impossibilidade de voar esteve sempre presente.  Isto é, na sua escalada para ultrapassar os seus limites, o homem nunca o fez  ontológicamente; nunca expandiu o seu próprio ser, eliminando, de facto, os seus limites; a via que seguiu consistiu em criar artefactos e tecnologia para os contornar. Despojado de tudo isso, o ser humano encontra-se idêntico ao ser humano de há milhares de anos.  O que seria de nós sem a tecnologia?

Ao longo de todos estes milhares de anos, a evolução do ser em si mesmo -- a evolução ontológica -- foi diminuta.

 

A consciência humana comporta-se como um subproduto do corpo e não catalisa energia suficiente para realizar a sua completa gestão.  Há casos de cura de certas doenças pela “energia da fé”.  Nesses casos, suponho que a consciência atingiu, por momentos, uma maior gestão do corpo.  A consciência passou de passiva a actuante.

 

O Homem, na sua generalidade, sempre viveu tentando satisfazer as suas necessidades, explorando as suas possibilidades e aguardando pelo fim ( alguns depositando a sua crença numa vida após a morte).  Este “modus vivendi” faz parte da submissão à condição de ser humano.

Imaginemos agora, uma sociedade em que as pessoas vivessem procurando transmutar-se em seres cuja consciência seria dominante sobre o meio e o próprio indivíduo.  Uma sociedade em que as pessoas vivessem para se transmutarem em seres ilimitados...  Seria algo semelhante a um mundo em que os seres humanos seriam como as crisálidas que precedem as borboletas, sendo estas últimas, os seres humanos já transmutados em seres quase sem limites devido às suas consciências agora dominantes e actuantes.

Utópico?  Talvez não.  Talvez o que nos falte para isso, seja a crença nessa nova possibilidade.  A vontade e o querer ajudarão a consciência a descobrir os meios para o conseguir.

 

O que diferencia a consciência humana da dos restantes animais é que essa consciência atinge a noção do seu tipo de ser, das suas possibilidades e limites e consegue imaginar a transmutação num outro tipo de ser.

Os outros animais parecem ter uma consciência indefinida sobre o seu próprio ser e possivelmente nula sobre a possibilidade de se transmutarem.  Deste modo nunca poderão querer ser aquilo que não conseguem sequer imaginar.

Talvez por isso a consciência humana esteja no limiar das possibilidades para se auto transmutar, já que, pelo menos, entrevê essa possibilidade.

 

Ao longo da história, o que faltou à nossa espécie para a criação e desenvolvimento de uma atitude transmutalista, face à existência?

Suponho que fundamentalmente:

1.      A crença na possibilidade da transmutação do homem.

2.      A vontade e o desejo de realizar essa transmutação.

Isto, porque, afinal, foram criadas e desenvolvidas outras atitudes complexas, como por exemplo, a atitude de viver preparando-se para o merecimento de uma vida plena após a morte.  Os factores que desenvolveram esta atitude são da mesma ordem:

1.      A crença na possibilidade de atingir uma vida plena após a morte.

2.      A vontade e o desejo de a atingir.

 

Não pretendo retirar a validade desta atitude, aqui tomada como exemplo.  Contudo, é interessante observar que a possibilidade de obter uma imortalidade agradável, é relegada ao juízo dos deuses.  Dá a sensação de que o homem, tem procurado retirar de si, a responsabilidade de conseguir ultrapassar certos limites e a tem colocado nas mãos das divindades, da natureza, do Karma, dos ciclos existenciais, das reencarnações, etc.

“Vou comportar-me bem, para que, depois de morrer, Deus me dê a vida eterna”.  Esta atitude existencial é subjacente em grande parte, senão na maioria das religiões.  Apenas quero aqui salientar um pormenor:  Pretende-se obter a vida eterna como um presente, através de um merecimento.  Não é realizado um trabalho directo na criação dessa vida eterna pelo homem.

 

Há um outro factor preponderante:  Esta imortalidade, esta vida eterna é somente obtida após a morte, sem que nós, os vivos, possamos algum dia saber se é verdade ou não.  Se é verdade ou não que, pelo menos, este ou aquele indivíduo alcançaram a vida eterna após a morte.  Após a morte, é uma cortina negra; do que se lá passa, nada se sabe de concreto e, assim, também se não pode negar qualquer afirmação.  Não se pode saber se é verdade ou mentira.  Talvez por isso, determinadas crenças religiosas sejam alicerçadas em acepções que não podem ser provadas; daí a sua durabilidade. Grande parte destas crenças estende-se por séculos ou milénios.

 

Imaginemos uma religião em que a principal crença seria a de que, o homem pode, em vida, transmutar-se adquirindo vida eterna. Para essa religião, uma tal crença seria um perigoso alicerce.  Possivelmente bastaria uma ou duas gerações de discípulos, sem que nenhum atingisse a transmutação, para que essa religião caísse em descrédito.  Quantos terão atingido a vida eterna após a morte?  Não sabemos. E, como não sabemos podemos continuar a acreditar.

A transmutação dos indivíduos seria algo constatável. Como tal, seria necessário que, pelo menos um indivíduo da espécie humana, realizasse essa transmutação, para que tal crença pudesse subsistir. Curiosamente, segundo o texto bíblico da religião cristã, foi constatada, o que parece ter sido uma transmutação. Depois de crucificado, Jesus Cristo, no seu túmulo, transmuta o seu corpo no “corpo glorioso”, adquirindo vida eterna.

Porque será que, apesar da ocorrência deste episódio registado na bíblia, não surgiu uma atitude transmutalista no seio da humanidade?  Porque não surgiu a crença de que a espécie humana tem a possibilidade de transmutar-se?

Uma forma de evitar tal crença seria a de negar que Jesus faria parte desta espécie humana.

A religião, ao considerar que Jesus conseguiu ressuscitar por ser filho de Deus e não como ser humano (que também seria), retira aos restantes seres humanos a mesma possibilidade.

No entanto, na própria bíblia, é enfatizado que em Jesus, o espírito de Deus nasceria homem, tão homem como os demais.  Jesus Cristo teria sido, portanto, um elemento da espécie humana que se transmutou num ser divino  (independentemente do espírito de Jesus ser de origem divina pois, afinal, segundo o texto bíblico, todos os espíritos vêm de Deus).

 

Se numa época de “olho por olho, dente por dente”, surge um ser humano com uma mensagem de amor e tolerância e se, como consequência da sua evolução, realiza também acções paranormais interpretadas como milagres, a sua mensagem só é parcialmente captada.  Isto porque esse ser é imediatamente idolatrado e apenas alguns dos seus ensinamentos são assimilados.  Os restantes são atribuídos à sua condição divina e, portanto, não são seguidos por serem considerados impossíveis para nós, simples seres humanos.

É de novo a tendência humana para a sujeição.

 

 

Meditemos no significado de Transmutação em Física Nuclear:

Transmutação corresponde à transformação física de um elemento noutro. Por exemplo, à transmutação do chumbo em ouro. Em aceleradores de partículas, consegue-se efectuar a transformação de átomos de chumbo em átomos de ouro. Para o fazer é necessário “injectar” uma grande quantidade de energia ao átomo de chumbo para que este se converta em ouro. Na realidade, o núcleo do átomo de chumbo é bombardeado com partículas de alta energia.

 

Penso que a transmutação está intimamente relacionada com a energia. Se o ser humano conseguir catalisar, uma grande quantidade de energia, possivelmente, entrará em processo de transmutação. Paralelamente, dar-se-á a expansão da consciência. A consciência poderá vir a conseguir gerir a totalidade do nosso corpo e até parte do meio ambiente.

 

 

Até hoje, encontram-se na história, poucos exemplos de indivíduos que possam ter realizado a sua transmutação. Este fenómeno não é surpreendente se repararmos que nunca existiu, no seio da nossa espécie, nem a atitude propensa à transmutação, nem tão pouco a crença de que a mesma seria possível.

Estou convencido de que, se um número significativo de seres humanos, tivesse compartilhado o mesmo interesse em transmutar-se, o somatório de todas as tentativas e experiências realizadas, constituiria já um conhecimento tão vasto, que teria possibilitado a muitos atingir essa realização.

A física quântica veio demonstrar, recentemente,  que a consciência do observador influencia o fenómeno observado. Isto é a confirmação científica de que nós podemos alterar a realidade da qual fazemos parte.

 

Apesar do quase total desconhecimento histórico de exemplos de transmutação, existe uma grande quantidade de casos de realização parcial ou de afloramento deste processo:

 

-          Os corpos de muitos indivíduos que foram considerados santos, não sofreram, depois da morte, o habitual processo de decomposição. Estes corpos foram observados, por milhares de pessoas, em urnas de vidro em diversas templos. Durante muitos anos, a sua aparência, manteve-se quase inalterada.

-          A anulação do ego e o alcance do estado de nirvana por vários discípulos do hinduísmo e budismo. A expansão da consciência e a identificação com a essência universal.

-          A obtenção de diversos poderes paranormais por iogues, monges tibetanos e outros místicos e ascetas.

 

 

Podemos chegar assim à síntese de algumas definições:

 

O Transmutalismo é o estudo e a investigação do transformismo e da transmutação com o objectivo de dominar o mecanismo de transmutação da matéria e da energia, do tempo e do espaço, dos objectos e dos seres.

 

O Transmutalismo é uma atitude nova do ser face à existência, orientada para a realização da transmutação individual.

            A transmutação individual é a transformação do ser humano num outro tipo de ser, desprovido das nossas limitações e impossibilidades.  Desprovido da rigidez limitante do nosso corpo. Um tipo de ser que vive num estado de domínio sobre si e o meio ambiente, e não num estado de sujeição aos elementos.

           

O Transmutalismo é uma fusão do ser com a arte — a mais elevada actividade do espírito humano. Via ideal para gerar o estado de liberdade total.

           

O Transmutalismo é, também, o esforço e o trabalho de investigação para transmutar, ainda em vida, o corpo humano num corpo reversível, incorruptível e imortal, cuja consciência deverá controlar, completamente, todo o metabolismo e a realidade em seu redor.

 

       

 

 

 ANÁLISE DAS MINHAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS

 

Text Box:      Quelques heures après, Lokifar, rétabli, annonça qu’ils approchaient de l’entrée du royaume. Blade ne distinguait rien. Le trio parcourait alors la surface aride du plateau sur lequel ils étaient arrivés en quittant Agart.
      Soudain,  alors  qu’ils avançaient, ils franchirent une porte invisible qui les transféra dans le séjour souterrain. Ils se trouvaient dans l’entrée de la grotte, près de la Porte des Etoiles. Blade, troublé, voulut s’assurer du phénomène qu’il venait de vivre. Il ressortit et constata que l’entrée d’Agart était totalement invisible.
     Pire, il était maintenant incapable d’en retrouver l’accès. 
     / Il finissait par se demander s’il n’avait pas finalement rêvé tout cela / 
     ¾Auriez vous perdu votre route ?
     ¾Je le crois, répondit Blade.
     ¾Avez vous oublié ce que vous a conseillé le Touktou ? Regardez avec votre cœur ! Agart est un univers d’initiés, un royaume de certitude. Il est invisible au commun des mortels. Suivez-moi.
     Et les deux hommes repassèrent dans l’univers souterrain, à un endroit même où, plusieurs fois, Blade avait cherché et recherché l’entré.
     ¾Celui qui doute, expliqua encore le religieux, ne trouve pas.
     ¾Mais le questionnement fait progresser, s’offusqua Blade.
     ¾Sans doute certaines questions font-elles progresser. Mais font-elles aller aussi loin et aussi bien que les certitudes ? Vous-même, grand guerrier, vous savez qu’au combat, celui qui se pose des questions est déjà mort.
     ¾Cela n’a rien à voir.
     ¾Oh si. La vie est un combat… contre soi le plus souvent. Voyez, vous avez suivi Lokifar sans vous poser de questions. Vous saviez qu’il connaissait la route d’Agart. Et vous êtes passés. Puis vous vous êtes interrogés. Alors vous êtes ressortis. Et là, seul, doutant de votre expérience, vous n’avez pas retrouvé le chemin de notre royaume.
Jeffrey Lord, « Les révoltés du roi du monde »

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ao ler-se, no capítulo sobre as minhas experiências pessoais, as abordagens que fiz à transmutação pode ficar-se com a ideia de que os meus objectivos foram, fundamentalmente, desenvolver em mim uma série de poderes ou capacidades paranormais. Em parte foi assim porquanto me deixei conduzir pelo fascínio do despertar destas novas capacidades. Mas não é, de modo nenhum, este o objectivo principal.

 

Na 1ª abordagem o objectivo principal era ainda muito vago e o interesse mais forte era apenas entrar. Entrar nessa área inexplorada e desconhecida das potencialidades humanas  paranormais. O simples facto de conseguir entrar numa área que eu ainda não sabia bem se era realidade ou ficção seria uma vitória. Entrei como um explorador numa selva tropical que se deixa seduzir pela beleza luxuriante de muitas espécies desconhecidas da flora e da fauna.

 

O primeiro fascínio foi o da própria sensação de libertação produzida pelo atenuar da minha parte racional e a consequente diminuição da dúvida que, anteriormente, permeava todos os meus pensamentos e acções. Era um estado de relaxe e de não estar totalmente ali, um pouco semelhante ao sonho, ou melhor, a vermo-nos e a sentirmo-nos, a nós próprios, dentro de um filme que se desenrola em directo, à nossa frente, numa tela com características bem reais mas, perante a qual não olvidamos completamente o facto de a ela estarmos a assistir comodamente instalados e, de certo modo, protegidos. Este sentimento de à vontade, de desprendimento e de aceitação de que tudo pode acontecer (como num filme) parece-me ser muito propício aos fins em vista. Há, neste estado, um ligeiro desdobramento de consciência: não nos vemos e sentimos apenas embrenhados na situação em que estamos envolvidos mas, vemo-nos também de uma outra perspectiva – de fora ou de cima, apercebendo-nos melhor dos elementos à nossa volta.

Talvez seja este o estado ideal para ter “fé” suficiente para nos lançarmos à empresa de realizar acções quotidianamente consideradas impossíveis (pelo menos para nós, humanos comuns).

 

A segunda fase do fascínio potenciou a primeira porquanto quando me apercebi que consegui realizar alguns feitos extraordinários isso traduziu-se numa dupla alegria. A de vitória e a de uma crescente autoconfiança no meu poder pessoal.

 

 

DIAGRAMA

 

1-Utilização de processo para obter atenuação da dúvida, medos e receios

 

2-Entrada num estado de autoconfiança ou fé

 

3-Ampliação e desdobramento da consciência

 

4-Um certo alheamento da realidade ou estado de indiferença

 

5-Façanhas e realizações normais e paranormais

 

6-Aumenta a paixão e interesse pela vida

 

7-Amor ou paixão por alguém ou pelo Todo

 

8-Alegria interior criada por: - realização pessoal

                                           - amor por alguém ou pelo Todo

 

9-A Alegria causada pelos itens anteriores catalisa Energia

 

10-A Energia aumenta as possibilidades de realizações extraordinárias

 

11-As realizações extraordinárias fortalecem a autoconfiança e satisfação                por se          estar a caminhar para o objectivo desejado. Isto produz mais alegria interior que vai gerar mais Energia

 

12-Entra-se num estado de ser superior (estado ontológico superior)

caracterizado por:  - mais lucidez e inteligência

                              - nível superior de energia

                              - maior sensibilidade e P.E.S. (percepção extra sensorial)

                              - mais poder pessoal

      - maior domínio sobre o corpo e melhor  controle das

.       suas funções, recuperação de recursos e metabolismo

      - muito melhor qualidade do sono

      - menor necessidade de descanso e de sono

      - maior sintonia com o todo e com o meio envolvente

      - maior facilidade de realizações paranormais

      - Mas, também: maior desfasamento com a realidade

 .      comum da maioria das pessoas e com a sociedade

                                                                                              

13-A Energia tende a avolumar-se em demasia ou a dissipar-se através de actos paranormais e a perder-se. Corre-se o perigo do efeito de “bola de neve” que representa um perigo de descontrole do indivíduo.

 

a)       A quantidade de energia avoluma-se a um ponto em que é difícil de gerir e tende a dissipar-se e a perder-se através de realizações paranormais mais ou menos espontâneas.

 

b)       Perigo de sofrer o efeito de “bola de neve”, realimentação positiva ou feed back cumulativo da produção da energia: a produção de energia não aumenta  consoante o aumento das capacidades de gestão do ser  mas sim em quantidades demasiado grandes. Isto produz uma aceleração  descontrolada que causa desordens emocionais, psíquicas e metabólicas. Desregulação de funções físicas como incapacidade de dormir e descansar os períodos suficientes à recomposição do organismo. Alimentação insuficiente ou esporádica. Estes efeitos podem provocar a exaustão quase total da energia em determinados momentos.

 

c)        Tendência para intolerância e entrar em atrito ou fricção com normas ou elementos sociais mais limitantes  ou  preconceituosos.

 

d)       Dificuldade ou impaciência em lidar com os entraves impostos pela diferença de “velocidades” (menor rapidez mental e física) dos elementos da sociedade envolvente.

 

14-Os efeitos de exaustão de energia em 13-a) e 13-b) e a fricção com a sociedade podem provocar uma alternância de momentos de alta energia com momentos de muito baixa energia e consequente vulnerabilidade física e psíquica.

 

15-a) Devido a qualquer conflito ou apenas ao descontrole psíquico e emocional e à perda súbita da alegria, o “efeito de bola de neve” de acumulação de energia pode, muito rapidamente, transformar-se no processo inverso: o da perda vertiginosa de energia.

15-b) Outra possibilidade mais grave: o indivíduo poderá entrar em conflito com quaisquer elementos da sociedade e, devido ao seu descontrole e consequente vulnerabilidade psíquica, passar por um distúrbio patológico – paranóia, mania da perseguição ou qualquer fobia.

 

16-Salta-se (ou cai-se) definitivamente do estado superior ontológico para um estado comum.

 

17-A perda desse estado e dos poderes associados transforma a alegria em tristeza e a confiança em frustração e o indivíduo tende a entrar em depressão psicológica.

 

18-A depressão arrasta-o para um estado ainda inferior aos estados comuns de ser e de realidade.

 

 

 

parte  II

 

 

 


 

Transmutação:   hipóteses e teorias

 

 

      Ele era Ptath. O três vezes grande Ptath. E   caminhava para Ptath. Capital do seu império de Gonwonlane...

          A. E. Van Vogt, “The book of Ptath”

 

 

-          Energia em geral                           - Alinhamento da informação mental

-          Consciência amplificada                              - Hiper-aceleração mental

-         Kundalini                                       - Imaginação actuante

-         (Relógio orgânico)                         - Ser o nada e manejá-lo

 

Parece-me poder distinguir três tipos de transmutação: a transmutação do próprio ser, a transmutação efectuada por um ser num objecto externo a si e a transmutação física de elementos e partículas que ocorre espontaneamente no universo.

 

Condições e fases essenciais para a transmutação

           

Com base em toda a investigação e experiências que realizei penso poder distinguir certas condições e fases essenciais no percurso orientado para a transmutação pessoal:

 

            Antes que tudo deverá existir uma intenção, uma volição ou, talvez melhor, um intento subjacente de realizar a transmutação. Este intento, mesmo que diluído ao longo de fases posteriores é determinante na impressão de uma direcção e de um sentido nos movimentos interiores do indivíduo. É criada assim uma dinâmica orientada para a abolição ou eliminação dos limites do ser. Passa a existir uma dinâmica do ser para a transmutação de si próprio noutro tipo de ser (que  aboliu os seus limites). [A transmutação incorpora uma alternativa à morte como o fim a atingir].

            A natureza do ser passa, assim, de rígida a plástica. E a dinâmica desencadeada pelo intento realiza na natureza plástica do ser uma série de alongamentos,